Recomendações do Diálogo Climático de Petersberg para um futuro sustentável

Data: 08/06/2020
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O Diálogo Climático de Petersberg (ou Petersberg Climate Dialogue, em inglês) é uma série de negociações preparatórias para as Conferências Anuais de Mudanças Climáticas da ONU na primavera europeia. Em sua 11º edição, realizada nos dias 27 e 28 de abril, ministros de meio ambiente de mais de 30 países reuniram-se on-line e trouxeram recomendações de ações para maior ambição de financiamento para o clima frente à pandemia de COVID-19.

O Diálogo foi proposto pela chanceler alemã Angela Merkel em 2009, após as negociações da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Copenhague (COP15) terem sido consideradas fracassadas. Ele leva esse nome pois foi realizado no Hotel Petersberg na colina de mesmo nome perto da cidade-sede da UNFCCC, Bonn. Ele passou a ser realizado em Berlim nos anos seguintes e este ano, extraordinariamente, foi realizado por videoconferência. 

Houve entendimento comum de que a atual queda nas emissões de gases de efeito estufa não é sustentável e que as previsões de emissões futuras serão diretamente influenciadas por decisões sendo feitas neste momento. Em vista da atual crise conjunta da pandemia e da emergência climática, os ministros concordaram com as seguintes sugestões:

  1. Os planos de recuperação econômica devem estar alinhados ao Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): os investimentos sendo realizados agora devem considerar a neutralidade climática e o apoio aos aspectos sociais, promovendo empregos verdes de qualidade.
  2. A recuperação precisa ser global para ser bem sucedida: multilateralismo, cooperação internacional e apoio a países em desenvolvimento são fatores-chave para isso. É necessário que o cumprimento da meta de mobilização de US$100 bilhões seja feito até o fim deste ano.
  3. A revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) e das Estratégias de Longo Prazo (LTS) não pode ser adiada: as revisões das metas precisam ser entregues até o fim do ano pelos governos do mundo todo a fim de manter o objetivo comum de crescente ambição para tratar a emergência climática.

Na sessão especial sobre recuperação verde, “Financiando a ambição climática em tempos de Covid”, líderes e especialistas diplomáticos, de regulação e política discutiram como criar pontes entre ação econômica atrelada a uma recuperação global verde e resiliente. As recomendações foram claras: a) focar em políticas e soluções concretas que viabilizem uma recuperação verde; b) maior colaboração e transparência para tratar riscos e aproveitar oportunidades; e c) a cooperação entre os setores privado e público é essencial para maximizar o impacto positivo na recuperação.

Há uma janela de oportunidade para reconstruir o mundo atendendo a um futuro mais inclusivo, resiliente e sustentável. Temos uma oportunidade de agir com responsabilidade e trazer a mudança do clima para o ecossistema de decisões financeiras, focando na recuperação econômica no curto prazo e também nas mudanças estruturais necessárias para um futuro sustentável com crescimento inclusivo e resiliente a longo prazo.