‘Após Covid-19, teremos que reinventar o mundo’, diz médico da UFRJ

Data: 14/10/2020
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O que esperar do futuro quando é fato certo que o mundo não será mais o mesmo depois da pandemia do Covid-19? Não há resposta certa, nem única, para a pergunta, mas o professor titular de Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ Roberto Medronho ajuda a traçar alguns caminhos. No encontro virtual do Grupo de Trabalho Covid-19 do CEBDS nesta  quarta-feira (14 de outubro) com  as empresas associadas, Medronho falou de meio ambiente e saúde, dos novos modelos de trabalho e de como 2021 ainda será um ano de alerta.

“Esta pandemia que assolou o mundo e é o maior desastre em cem anos para a humanidade não será a primeira nem a última. Enquanto houver homem, vai haver pandemia”, disse Medronho, que ressaltou que a mobilidade urbana num mundo globalizado trouxe problemas e que a tragédia ambiental não é só um grave problema ambiental , mas também tem impactos diretos no âmbito da saúde pública. 

“O cenário não vai mudar em 2021: ainda haverá picos da doença, necessidade de isolamento. Mesmo com a aprovação das vacinas – que requerem testes específicos e precisos para serem seguras e poderem ser aplicadas em um mundo de pessoas — há uma questão de logística para a produção de 7 bilhões de doses (ou 14 bilhões se a vacina for em duas doses)”, explicou. 

Home office em sistema híbrido

A mensagem do epidemiologista é de que o mundo vai realmente precisar mudar e conceitos como consumo exagerado, acúmulo de bens e trabalho presencial terão que ser  repensados. “Vamos precisar reinventar o mundo em que vivemos”. 

Uma das soluções apontada pelo médico é que as empresas adotem um sistema híbrido de trabalho, como as escolas estão fazendo no retorno às aulas presenciais, com divisão entre horas presenciais e trabalho remoto. “Porque precisamos da interação, precisamos do contato, das relações. Só pela telinha não dá.”

Para ele, o setor mais crítico das grandes cidades brasileiras é o transporte público. “As pessoas podem estar de máscaras, mas se estão muito próximas, durante muito tempo, como ocorre nos transportes públicos daqui, a proteção da máscara diminui muito e o risco aumenta. Mas não podemos manter para sempre confinadas as pessoas em grupo de risco”, defendeu.

Sobre os casos de reinfecção que ocorreram no mundo, Medronho acha que são raros e acredita que após ter contraído Covid-19 a pessoa estaria por 6 meses protegida. “Os seis meses são um chute. São muitos os desafios para a volta a um outro normal. Que seja para um mundo mais igualitário”, enfatizou.