Transformações no sistema de alimentos dependem de colaboração e inovação

Data: 10/06/2020
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No quarto webinar da série ReVisão 2050, do CEBDS, especialistas apontam caminhos para revisão das práticas produtivas e da qualidade das dietas, e da redução no desperdício ao longo da cadeia

Rio de Janeiro, 10 de junho de 2020 – A sustentabilidade deve nortear a colaboração multissetorial entre as empresas do sistema de alimentos (agrobusiness, nutrição e varejo) e o desenvolvimento de novas soluções para os principais desafios por meio da inovação e da ciência. Entre esses desafios, a revisão nas práticas produtivas e na qualidade das dietas, além de uma redução no desperdício ao longo da cadeia. Esse é um dos caminhos apontados por executivos e especialistas participantes do quarto Webinar da série de debates ReVisão 2050, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que visa planejar e construir uma visão de futuro pós-pandemia. O quarto encontro, transmitido ao vivo pelo canal do CEBDS no Youtube, levantou discussão sobre questões relacionadas à resiliência do sistema de alimentos no Brasil – da fazenda ao garfo –, sob a luz da atual pandemia da Covid-19.

“A gente precisa de uma visão ainda mais sistêmica sobre esse tema. Por isso, estamos ampliamos a discussão para a cadeia de Alimentos. A pandemia acelera as urgências e a tecnologia encurta as distâncias entre o campo e a cidade. A rastreabilidade de matérias-primas e modos de produção é uma tendência nesse contexto”, disse Marina Grossi, presidente do CEBDS, na abertura do webinar, acrescentando que, no Brasil, quase 37 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente. “Ou seja, cada pessoa joga fora mais de 41 quilos de alimentos por ano”, completou.

A Gerente de Assistência do Departamento Nacional do SESC, Ana Cristina Corrêa Guedes Barros, também destacou a necessidade de mitigar as perdas da produção ao consumo final. Para ela, o engajamento social é um dos caminhos para alcançar esse objetivo. “O movimento de responsabilidade social das empresas passa por um chamamento para que todos os atores sejam envolvidos”, afirmou Ana Cristina.

Já há algumas iniciativas no Brasil para promover maior cooperação entre as empresas do sistema de alimentos. “Como o Grupo de Trabalho criado pelo CEBDS. Precisamos de uma visão 360 graus se queremos de fato alcançar a transformação que almejamos”, afirmou Cristiane Lourenço, Líder Global de Relacionamento com a Cadeia de Alimentos e Nutrição para América Latina da Bayer, uma das 21 grandes empresas da cadeia de alimentos participante do GT de Alimentos do CEBDS.

Para o Diretor de Sustentabilidade do Carrefour Brasil, Lucio Vicente, durante muito tempo as empresas trabalharam de uma forma individualizada e setorizada. “Pela complexidade dos desafios que o mundo enfrenta hoje, a união setorial é muito importante”, disse Vicente. Na visão dele, há um grande desafio de construir uma nova narrativa para a sociedade. “Precisamos encontrar formas de contar a ‘história’ dos produtos para o consumidor. Cada vez mais, esse consumidor vai cobrar por informações sobre o que está por trás dos produtos que está comprando”, explicou.

Nesse contexto, a Diretora do Instituto Comida do Amanhã, Juliana Medrado Tangari, apontou que o sistema de alimentação sustentável almejado não será alcançado somente por meio de transformações no processo de produção, mas especialmente mudanças comportamentais do consumidor. “O que está muito evidente para nós é a importância do foco na adoção de dietas sustentáveis. Afinal, aquilo que comemos também muda o mundo”, disse ela, destacando a diversidade em diferentes etapas do consumo, desde a compra até o preparo do alimento.

Na avaliação dos especialistas, a tecnologia é um caminho viável para melhorar a transparência dos processos da fazenda ao garfo. “Em 2050, visualizo um consumidor mais consciente, cada vez mais forte. Vejo também o encurtamento de cadeia, com o consumidor buscando compras diretas e locais”, comentou Juliana, que vê potencial de desenvolvimento também para a agricultura urbana nos próximos 30 anos.

Para Cristiane Lourenço, em 2050, a humanidade vai produzir mais e melhor, impulsionada pela tecnologia e inovação. “Novas sementes, biotecnologia, produção de cultivos para eliminar desperdícios nas fazendas e também para preservar os recursos naturais, entre muitos outros”, exemplificou, destacando também a importância do desenvolvimento de políticas públicas que permitam dar escala às transformações em curso.

A discussão neste webinar foi moderada pelo Diretor de Desenvolvimento Técnico do CEBDS, Ricardo Pereira. O projeto ReVisão 2050 tem o patrocínio do Itaú e da Vale, e conta com o apoio da ERM, KPMG, SESC e Sitawi.

Próximas agendas

Com a crise do coronavírus, o CEBDS está realizando entre suas empresas associadas e especialistas multissetoriais discussões sobre a retomada dos negócios e o planejamento de longo prazo, revisitando os compromissos definidos no documento Visão Brasil 2050, lançado na Rio+20, em 2012. Estão previstas ainda webinares para discutir Energia, Biodiversidade e Florestas, Economia Circular e Cidades, com o intuito de pensar o futuro pós-coronavírus.

Os webinares contam com a participação de representantes do terceiro setor e são realizados quinzenalmente às quartas-feiras, de 8h às 9h30, de forma gratuita e abertos ao público em geral.

 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

DATA TEMA
24/junho   Energia
08/julho  Biodiversidade e Florestas
22/julho  Economia Circular 
05/agosto  Cidades

 

SOBRE O CEBDS

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável por meio da articulação junto aos governos e a sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. Fundado em 1997, reúne cerca de 60 dos maiores grupos empresariais do país, responsáveis por mais de 1 milhão de empregos diretos. Representa no Brasil a rede do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países e de 22 setores industriais, além de 200 grupos empresariais que atuam em todos os continentes. Mais informações: https://cebds.org/.

 

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Débora Rolando