De 19 a 30 de outubro, Yerevan, capital da Armênia sedia a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), primeira grande avaliação global do Marco de Kunming-Montreal desde sua assinatura. O CEBDS, acompanha de perto as negociações e mobiliza empresas associadas para a agenda internacional de natureza.
O que é a COP17 da Biodiversidade
A COP é o órgão supremo de decisão da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), tratado da ONU assinado por 196 países que trata da conservação e do uso sustentável da biodiversidade. A 17ª edição da conferência (COP17) acontece em Yerevan, capital da Armênia, entre os dias 19 e 30 de outubro de 2026, sob o lema “Taking Action for Nature” (Agindo pela Natureza).
O objetivo central desta edição é realizar a primeira grande avaliação global sobre a implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF) um exercício de revisão de progresso comparável ao Balanço Global (Global Stocktake) do Acordo de Paris, mas voltado à natureza. Na prática, isso significa medir o quanto os países avançaram em relação às metas de preservação da biosiversidade e acelerar ações para cumpri-las até 2030.
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O que já foi decidido: o legado da COP16
Firmado na COP15, em 2022, o GBF estabeleceu 4 objetivos de longo prazo até 2050 e 23 metas específicas para 2030, organizadas em três grandes blocos: redução de ameaças à biodiversidade, uso sustentável e repartição de benefícios, e integração da biodiversidade nas políticas públicas e no setor produtivo.
Na COP16, realizada em Cali, na Colômbia, em 2024, os países avaliaram pela primeira vez o progresso desde a assinatura do GBF e avançaram em decisões importantes, entre elas: a criação do Fundo Cali, mecanismo para o qual empresas de setores como cosméticos, biotecnologia, farmacêutico e agroquímicos poderão contribuir com parte de seus lucros para repartir de forma justa os benefícios do uso de sequências genéticas digitais da biodiversidade; o reconhecimento oficial do papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e povos afrodescendentes na conservação da natureza; e a decisão de criar um programa de trabalho conjunto entre as três convenções ambientais da Rio-92 clima, biodiversidade e desertificação, que será liderado pelo Brasil. Ficaram em aberto, no entanto, pontos sensíveis como a criação de um novo fundo global dedicado exclusivamente à biodiversidade e a definição de mecanismos mais claros de monitoramento do cumprimento das metas pelos países.
Os temas que devem dominar a COP17
Com base nas negociações técnicas preparatórias realizadas ao longo de 2026 como as reuniões dos órgãos subsidiários da CDB, o SBI-06 (em Roma, em fevereiro) e o SBSTTA-28 (em Nairóbi, entre julho e agosto), a agenda da COP17 deve se concentrar em:
- Mobilização de recursos e mecanismos financeiros para viabilizar as metas de biodiversidade;
- Esforços conjuntos entre biodiversidade e clima, além de temas técnicos como espécies invasoras, saúde e biodiversidade marinha e agrícola;
- Revisão global do progresso coletivo do Marco de Kunming-Montreal, mapeando conquistas, lacunas e próximos passos;
- Diretrizes para territórios tradicionais e proteção liderada por comunidades locais, no âmbito do Artigo 8(j) da Convenção;
- Integração da biodiversidade em setores econômicos, incluindo o papel de governos subnacionais e cidades;
- Sinergia entre a CDB e o IPBES (painel científico intergovernamental sobre biodiversidade), para garantir que as metas globais sejam orientadas por evidências técnicas.
O papel do CEBDS na COP17
O CEBDS acompanha as negociações internacionais de biodiversidade por meio da Câmara Temática de Biodiversidade (CTBio), estruturada em três eixos de atuação: Nature Positive (impacto positivo sobre a natureza), Boas Práticas e Conservação, e Governança este último responsável pela articulação com governos e pela participação nas COPs de biodiversidade.
Para a COP17, a atuação da CTBio se organiza em quatro frentes estratégicas:
- Estratégia e Incidência atuação junto a diferentes atores, mapeamento de oportunidades e compartilhamento de boas práticas do setor empresarial brasileiro;
- Disseminação e Gestão do Conhecimento consolidação e tradução de conteúdos-chave da COP17 (e também da CMS, Convenção sobre Espécies Migratórias), por meio de boletins informativos, webinars temáticos e repositório de conteúdo;
- Engajamento Empresarial mobilização das empresas associadas para participação ativa e qualificada na agenda de biodiversidade;
- CEBDS no Radar das COPs acompanhamento estratégico e integrado das três COPs ambientais (Biodiversidade, Clima e Desertificação), com identificação de temas prioritários e oportunidades de incidência para as associadas.
A expectativa é dar continuidade ao resultado obtido na COP16, quando o CEBDS liderou o call to action “Vamos Agir pela Natureza” e viu a delegação oficial de empresas associadas crescer 280% em relação à COP15 passando a reunir 42 empresas de 17 setores diferentes, com destaque para o crescimento das áreas de energia e de finanças e desenvolvimento.
Por que isso importa para as empresas
O GBF tem o potencial de ir além da conservação ambiental: ele pode acelerar a transformação dos sistemas econômicos e financeiros rumo a um modelo mais equitativo e positivo para a natureza, estimulando novas estratégias empresariais e direcionando investimento privado para empregos limpos e oportunidades de negócio ligadas à economia verde. Acompanhar de perto as decisões da COP17 e participar ativamente do processo, como vem fazendo o CEBDS é, portanto, uma forma de as empresas brasileiras se anteciparem a um cenário regulatório e de mercado cada vez mais orientado por critérios de natureza.

