Roadmap de Oportunidades de Investimento em Soluções Climáticas na Amazônia

A crise climática é um dos principais desafios globais de nossa época. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), as atividades humanas já causaram um aumento de 1oC em relação aos níveis pré-industriais. Para mantermos níveis seguros de aumento da temperatura (em até 1,5oC), precisamos atingir uma economia neutra em carbono até 2050. Simultaneamente, entre 1985 e 2021, a Amazônia perdeu uma área de floresta tropical equivalente a três vezes o tamanho do Reino Unido.


O estudo “Carbono e o destino da Amazônia”, do Hub Amazônia 2030, revelou que, mesmo com um Sistema de Comando e Controle funcionando plenamente, poderemos ultrapassar o ponto de não retorno da Amazônia em menos de duas décadas, o que levaria a um processo irreversível de savanização e à emissão de 32 bilhões de toneladas de CO nos próximos 30 anos. Além do prejuízo climático, é inestimável a perda de biodiversidade e o fornecimento de serviços ecossistêmicos associados. O mercado internacional, percebendo o perigo que a devastação amazônica representa para os negócios, desloca sua atenção gradativamente para o descrito estado de emergência. Fica evidente, portanto, a necessidade de um esforço coletivo e intersetorial que assuma a responsabilidade de viabilizar mecanismos de remuneração pela floresta em pé no território amazônico, seja por meio da atração de projetos sustentáveis ou interlocução com o Governo Federal, governos locais e MDBs para financiamentos.


Diante de tal cenário, o setor empresarial brasileiro manifestou, no “Comunicado do Setor Empresarial Brasileiro”, grande preocupação quanto aos desafios de controle do desmatamento e remuneração pela floresta em pé, em que elencou como principais frentes de atuação para as empresas signatárias: rastreabilidade, digitalização das cadeias produtivas, transparência no ambiente institucional, bioeconomia, inclusão energética e digital.


O posicionamento assertivo deu origem, no ano seguinte, ao Movimento Empresarial pela Amazônia, com o objetivo de construir uma agenda efetiva em defesa do desenvolvimento sustentável, da criação de emprego e renda com a floresta em pé e da redução do desmatamento. Uma ação do movimento foi assumir a liderança do Grupo de Trabalho (GT) Amazônia, reunindo mais de 70 empresas de diversos setores para se manifestarem em prol do desenvolvimento sustentável na região. Fruto desse GT foi o “Posicionamento do Setor Empresarial sobre a Amazônia”, lançado na COP26, a 26a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Glasgow, em novembro de 2021.


Em 2022, o GT Amazônia elaborou o “Estudo de Boas Práticas Empresariais na Amazônia”, em parceria com IDESAM. Este estudo seguiu sete critérios principais e destacou 11 exemplos de projetos colaborativos, escaláveis e alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). E também a participação ativa em espaços estratégicos, a exemplo da imersão de CEOs na Amazônia, na região do Tapajós, junto a especialistas e comunidades locais.

Em 2023, o GT Amazônia deu início à Jornada do Piloto de Soluções Climáticas Naturais (SCN), um projeto que envolve engajamento e capacitação das empresas, para fomentar investimentos na região amazônica, aproveitando a janela de oportunidade da COP30, em Belém. A Jornada foi baseada no material da Natural Climate Solutions Alliance e no Guia do Comprador para Soluções Climáticas Naturais (Buyer’s Guide), um documento fundamental que continua sendo uma referência central.


O presente documento, que se propõe a ser um Roadmap de Oportunidades de Investimento em Soluções Climáticas Naturais na Amazônia, nasce da percepção de urgência do setor privado quanto a esse cenário e busca suprir uma lacuna ainda existente em termos de orientação objetiva para a ação. Os tópicos a seguir têm dois propósitos primordiais, sendo eles:


1. Mapear o estado da arte das SCN na Amazônia e;


2. Propor abordagens e recomendações para que soluções climáticas naturais sejam implementadas
nos planos de ação das empresas associadas.

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