CEBDS e Embrapa promovem discussão sobre Sistemas Alimentares

Evento contou com representantes de diversos setores da sociedade em uma rica discussão em busca de um país mais sustentável

 

Na tarde desta terça-feira, dia 22, mais de 70 representantes do setor privado, da academia, da sociedade civil, além de ONGs e membros poder público se reuniram para debater soluções transformadoras para o país no Diálogo Independente sobre como dar escala a Soluções Tranformadoras, no âmbito da Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU (do acrônimo em inglês UN FSS), evento virtual promovido pelo CEBDS em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O resultado dos debates dará origem a um relatório que será entregue à comissão do UN FSS, colaborando com o avanço da agenda no Brasil e fomentando o processo internacional.

“Em setembro de 2021, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, convocará uma Cúpula de Sistemas Alimentares como parte da Década de Ação para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030. A Cúpula lançará novas ações ousadas para gerar progresso em todos os 17 ODS, cada dos quais depende, até certo ponto, de sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e equitativos.”

Os participantes do Diálogo foram divididos em três salas, cada uma delas com perguntas norteadoras relativas a temas grande importância, como a agricultura de baixo carbono, regenerativa e de alta produtividade; a ampliação do acesso a alimentos saudáveis e sustentáveis para garantir a segurança alimentar; e a educação do consumidor para fortalecimento do consumo sustentável. Cada grupo contou com apresentações de cases que retratam soluções efetivas já em andamento no Brasil.

Entre os pontos mais relevante dos debates surgiram necessidades como o aumento da produção agrícola e pecuária aliado a tecnologias que permitam redução das áreas necessárias, valorizando a floresta em pé, sistemas agroflorestais, a manutenção da biodiversidade no país, além da redução na emissão de gases de efeito estufa (GEE). Também foi citada a importância de ter modelos de sistemas que sejam pertinentes para todos os tipos de produtores, melhor assistência técnica, linhas de financiamento, agregação de valor aos serviços ecossistêmicos, além da geração de métricas bem definidas, capazes de mensurar e comprovar a evolução dos setores em termos de sustentabilidade. Afinal, para os participantes, não adianta fazer ações para agricultura de baixo carbono se continuarem altos os números de queimadas e desmatamento.

Outro destaque foi a necessidade da formação de parcerias entre os diversos setores da sociedade visando melhorar acesso dos produtores rurais ao mercado e o fortalecimento políticas públicas de acesso ao alimento. Para os debatedores é fundamental pensar na corresponsabilidade de todos que fazem parte da cadeia de alimentos, desde os pequenos produtores, até chegar ao consumidor final, que precisa ter insumos para fazer escolhas mais sustentáveis. Neste sentido, foi muito discutida a importância da comunicação: fazer com que a informação adequada chegue para cada um dos atores da cadeia agroalimentar quando o assunto é a produção, a distribuição, a industrialização e o consumo de alimentos mais saudáveis e sustentáveis.

Mais um dos desafios colocados pelos participantes foi pensar em como todos os brasileiros possam ter acesso a alimentação numa realidade em que mais de 50% da população vive em situação de insegurança alimentar. Neste ponto, o respeito e a valorização da cultura foram tidos como algo fundamental: falar a linguagem de cada região, entender as produções locais e os costumes relacionados ao consumo de alimentos. Isso, para os participantes, é muito importante para fortalecer os cultivos tradicionais e educar a população. Por fim, foi ressaltada a importância da formação de gestores públicos para o fortalecimento de políticas regionais sustentáveis, a necessidade de uma vida mais justa no campo, capaz de reduzir o êxodo rural.  

Liderando as discussões sobre os sistemas alimentares, o CEBDS lança nesta sexta-feira, dia 25, o Guia do CEO sobre a Transformação nos Sistemas Alimentares, que visa trazer a visão holística de práticas mais sustentáveis, inclusivas e resilientes à tomada de decisão das altas lideranças. Já no mês passado, o CEBDS lançou o Posicionamento do setor empresarial sobre a sustentabilidade dos Sistemas Alimentares no Brasil, ao lado de 18 empresas signatárias, visando aprimorar iniciativas para um melhor sistema alimentar, levando em consideração que as estimativas são de que daqui a 30 anos teremos 10 bilhões de pessoas no mundo, que precisarão ser alimentadas com qualidade nutricional, com uma produção diversa e sustentável. 

 

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