Empresários propõem ações para viabilizar transição para economia neutra em carbono, equitativa e positiva para a natureza
Membros do Conselho de Líderes do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) se reuniram esta semana com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. Ao longo da reunião, foram debatidos temas como transição energética, taxonomia verde, descarbonização do setor de logística (transportes), implementação do mercado regulado de carbono, fomento a mecanismos de finanças híbridas (blended finance) e ações de socorro ao Rio Grande do Sul diante das enchentes históricas que o estado tem enfrentado.
Um dos resultados da reunião foi a proposta de criação de um grupo de trabalho que terá início ainda este mês, com o objetivo de fundamentar as sugestões de políticas públicas apresentadas pelo setor privado, que abrangem temas relevantes para o desenvolvimento sustentável. Para a presidente do CEBDS Marina Grossi, é importante que o Brasil aproveite a janela de oportunidade única, já que o país irá presidir o G20 este ano e a COP 30 em 2025. Ela afirma que este é o momento ideal para colocar o desenvolvimento sustentável como uma pauta prioritária.
“Neste ambiente de confiança, que é o Conselho de Líderes, é possível conversar sobre as principais questões que podem ser destravadas dentro da pauta ambiental. Na jornada para a COP30, é importante pavimentar a transição energética, envolvendo o setor público e privado. Na Conferência do Clima da ONU, os governos definem as NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, mas é o setor privado que põe isso em prática”, afirma Marina.

Mercadante, por sua vez, abreviou sua participação na reunião por conta da crise climática no Rio Grande do Sul. “A prioridade é socorrer vítimas, atender os desabrigados e restabelecer as comunicações. Os extremos climáticos estão trazendo uma agenda nova, não basta o Estado cuidar da estrutura. Tem o problema que é o impacto na atividade econômica no território. Precisamos de respostas novas para recuperar a economia local”, disse.
O presidente do BNDES lembrou, ainda, que, segundo a Bloomberg, o Banco é a instituição que mais financiou energias renováveis no planeta. “Podemos continuar avançando com o hidrogênio verde, a amônia verde e o etanol de segunda geração. Também impulsionar a bioeconomia e os bioinsumos, fundamentais para o agro, setor estratégico da nossa economia. Outros setores em que podemos avançar são a descarbonização da frota naval, o desenvolvimento de SAF verde, além do complexo industrial da saúde. Por isso tudo, o BNDES será fundamental nesse processo”, completa Mercadante.
“Com o Conselho de Líderes, temos a possibilidade de nos organizarmos em torno de políticas públicas, de regulação, de financiamento, das cadeias e de inovação. O Brasil tem milhares de exemplos, como hidrovia, mineração de baixo impacto. De acordo com a Bloomberg, Brasil, China, Austrália e Canadá possuem as grandes reservas estratégicas para a transição energética na rota elétrica”, ressalta a Diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa.
Realizada na sede do BNDES, no Rio, a reunião contou com a participação de CEOs e presidentes de algumas das maiores empresas do país, que representam os mais diversos setores da economia nacional, como transportes, comunicações, energia, petróleo e gás, cosméticos, agronegócio e saneamento, entre outros. Ao todo, 32 empresas participaram da reunião.
Composto pelos setores público e privado, o Conselho de Líderes conta também com representantes da sociedade civil, nomeados “observadores”. Promove, periodicamente, reuniões para discutir temas essenciais para o desenvolvimento sustentável do país. Em 2024, duas outras reuniões do Conselho de Líderes do CEBDS estão agendadas: uma no dia 3/9 na CCR e outra em 10/12 no Banco do Brasil.
Sobre o CEBDS
O CEBDS, entidade que reúne mais de 110 das maiores companhias com atuação em solo brasileiro, vem trabalhando em parceria com diversas entidades, como os Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além da JGP, Igarapé e WBCSD (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, na sigla em inglês) no apoio à criação de políticas públicas e iniciativas do empresariado que pretendem alavancar a transição para a economia verde brasileira.
Empresas presentes na reunião do Conselho de Líderes:
Accenture, Acciona, Ambipar, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco Santander, Caixa Econômica Federal, CitroSuco SA Agroindústria, Energisa, Engie, Equinor Brasil, Hidrovias do Brasil, Iguá Saneamento, Ipiranga, JBS, Lorinvest, Michelin, Natura, Neoenergia, New Wave Tech, Petrobras, Petronas, Prumo Logística, Schneider Electric, Shell, Siemens Energy, Tim, Vale, Vibra Energia, VLI Logística, Volkswagen e Yara Brasil.
