Muitas sementes plantadas em solo amazônico ainda terão tempo para frutificar, mas já revelam a capacidade do Brasil de liderar articulação e cooperação históricas
Por Marina Grossi*
Dentre tantas alcunhas que a COP30 recebeu – “COP da Amazônia”, “COP da floresta”, “COP da verdade” – a que se mostrou mais real foi a “COP da implementação”. O pacote de Belém, nome dado ao conjunto de 29 textos resultantes de duas semanas de negociação na capital paraense, traz resposta efetiva à urgência climática e resgata o peso do multilateralismo, ao propor acelerar implementação e cooperação internacional.
Um exemplo é o novo Acelerador Global de Implementação, iniciativa lançada sob a liderança das COP30 e COP31 para apoiar países na adoção de compromissos climáticos e planos nacionais de adaptação. Foi um importante resultado da Agenda de Ação, que corre paralela às negociações. Nascida com o Acordo de Paris, ela tornou-se peça-chave na mobilização da sociedade civil, academia e setor empresarial. A presidência da COP30 reformulou o mecanismo, organizando-o em seis eixos temáticos – da transição energética ao desenvolvimento humano – e 30 objetivos.
O setor empresarial aderiu prontamente ao chamado do mutirão global pela ação climática. Os meses que antecederam a conferência foram marcados por mobilização inédita, com 270 entidades unidas em quatro coalizões estratégicas – Transportes, Energia Elétrica, Agricultura e Minerais Essenciais – mostrando ser possível integrar setores inteiros em torno do mesmo propósito. O movimento coloca o Brasil na vanguarda da implementação climática.
Outra contribuição veio da apresentação de soluções práticas. O Brasil de Soluções, conjunto de práticas das empresas associadas ao CEBDS, reuniu 135 projetos de alto impacto em 18 segmentos da economia. A esse esforço somaram-se a C.A.S.E (Clima, Ação, Soluções e Engajamento) e a SB COP (Sustainable Business COP30), resultando na entrega conjunta de um compilado com 800 iniciativas mapeadas, 144 pré-selecionadas e enviadas à Presidência da COP30. Esse portfólio, replicável dentro e fora do país, demonstra o elevado grau de maturidade das entregas empresariais e será um dos legados de Belém.
A COP30 termina com a clara mensagem da continuidade. Nas negociações formais e na Agenda de Ação, muitas sementes plantadas em solo amazônico ainda terão tempo para frutificar, mas já revelam a capacidade do Brasil de liderar articulação e cooperação históricas, abrindo caminho para a difícil – porém possível – tarefa de descarbonizar a economia com ambição, ciência e colaboração.
* Marina Grossi é presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), entidade com 28 anos de atuação e 120 grandes empresas associadas, Enviada Especial da Presidência da COP30 para o Setor Empresarial

