COP26: Presidente do CEBDS lidera painel sobre o papel do setor empresarial para alcançar a neutralidade climática

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, liderou um painel na COP26 sobre a importância de as empresas realizarem iniciativas e se tornarem também protagonistas para atingir o objetivo de neutralidade climática, na manhã desta quarta-feira, 3/11.

Estiveram presentes ao encontro Erasmo Carlos Battistella, Presidente e CEO da BSBIOS Indústria e Comércio de Biodiesel Sul Brasil S/A; Gilberto Tomazoni, CEO da JBS; e Marcelo Behar, Vice-Presidente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Natura &Co

No painel, todos foram unânimes em dizer que o Brasil tem capacidade para liderar e se unir em torno de um objetivo em comum: atingir neutralidade climática. “O Brasil tem as soluções agora para atingir a neutralidade climática e ainda manter a floresta de pé. O mais importante é que tenhamos metas que sejam mais curtas, até 2025, 2030 e assim por diante, com a realização de ações concretas, considerando o potencial competitivo que o nosso país tem”, afirma a presidente do CEBDS, Marina Grossi. 

Erasmo Battistella citou como exemplo a adoção dos biocombustíveis no transporte como uma alternativa viável à redução das emissões. O CEO da BSBIOS ressaltou que a produção de 40 bilhões de litros de biodiesel já foram responsáveis por reduzir em 43 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. Erasmo comentou ainda sobre o diesel verde, que pode substituir o querosene de aviação. “Não podemos perder as oportunidades em colaborar com a redução de emissões no mundo e ainda gerar os empregos verdes. O PIB verde vai elevar o consumo a um outro patamar”, ressalta. 

Economicamente falando, o CEBDS crê que um total de até US$ 17 bilhões possam ser gerados no País a partir de negócios com base na natureza até 2030. Para Marcelo Behar, é preciso dar visibilidade real do que que está acontecendo na Amazônia, inclusive sobre o desmatamento, ressaltando que é possível mudar esse cenário com o apoio das comunidades locais. “Desde o Acordo de Paris a meta era preservar as florestas tropicais e uma das saídas para isso é fazer com que as comunidades sejam guardiãs da própria floresta. A Natura já vem realizando isso e trazendo benefícios às comunidades para que elas sejam parte da solução”, afirma Behar. 

De acordo com Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, é fundamental o monitoramento da cadeia de fornecedores, para que estejam em compliance sobre questões como trabalho escravo, áreas indígenas, entre outras. “Hoje dos 80 mil fornecedores cerca de 11 mil estão bloqueados por não cumprirem as nossas regras de compliance”, ressalta. Segundo Tomazoni, até 2025 toda a cadeia de fornecimento passará a ser monitorada e, consequentemente todos os biomas, por meio do uso de blockchain. Para isso, a empresa criou 15 escritórios verdes para apoiar produtores e fornecedores, para que se tornem adequados a todas às normas de compliance de forma voluntária, incluindo questões como desmatamento ilegal. “Cada uma das fazendas será carbono zero. Estamos em processo de aprimoramento de uma calculadora que poderá verificar as emissões e a redução de carbono de cada propriedade, tomando como base números de animais, áreas degradadas, entre outros.”

O painel, intitulado “Papel do setor empresarial no alcance da neutralidade climática”, abriu o evento “A relevância do setor privado no fortalecimento da ação climática global” que contou também com as mesas “Movendo os trilhões: alinhando finanças e políticas públicas para a descarbonização” e “Novas formas de financiamento climático: Instrumentos, oportunidades e inovação para destravar a nova economia”.

No segundo painel, representantes da We Mean Business, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), da BRF, da Sitawi Finanças Sustentáveis e da JGP Crédito discutiram o financiamento da descarbonização da economia global, que requer o alinhamento entre investimentos globais de 20 bilhões de dólares anuais, políticas públicas e carteiras de investimento. 

Na mesa de encerramento, Climate Bonds Initiative (CBI), Bradesco, Bayer América Latina, Vale e Climate Ventures falaram acerca da necessidade de inovações tecnológicas, de modelos de negócio e novos instrumentos de financiamento para possibilitar a descarbonização das cadeias produtivas globais.

Estudo

Em abril deste ano, o CEBDS lançou o posicionamento “Neutralidade Climática: Uma grande oportunidade”, que reitera que uma meta mais ambiciosa de neutralidade climática para 2050 trará ganhos ao Brasil em diversos segmentos: economia, com a geração de empregos verdes e investimentos crescentes em soluções de baixo carbono; comerciais, com poder de negociação mais sólido frente a seus principais competidores; ambientais, com incentivo à redução dos gases de efeito estufa (GEE); e reputacionais.

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