Lançada no último sábado (7) pelo CEBDS e pelo Perú Sostenible, a Declaração de Empresas Latino-Americanas sobre a Amazônia reforça o compromisso do setor empresarial da região com o combate à ilegalidade e a promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo na floresta.
O documento destaca a urgência de enfrentar atividades ilícitas que ameaçam a biodiversidade e as comunidades locais, e propõe ações conjuntas entre governos, empresas e sociedade civil para proteger a Amazônia como patrimônio comum e essencial à estabilidade climática global. Confira a carta completa:
Declaração das Empresas Latino-Americanas sobre a Amazônia
A Amazônia abriga 40% das florestas tropicais do planeta. Em um território de 7 milhões de km², dos quais 5,3 milhões de km² são florestas, protege mais de 400 povos indígenas e 10% da biodiversidade terrestre mundial. A água que percorre seus rios representa cerca de 18% de toda a água doce que chega aos oceanos, com uma descarga diária de 17 trilhões de toneladas. Além disso, a região é um dos maiores sumidouros de carbono do planeta, essencial para manter o equilíbrio climático e a segurança hídrica da América do Sul. É também o lar de 40 a 50 milhões de pessoas, incluindo mais de 400 povos indígenas de enorme riqueza cultural, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
No entanto, a Amazônia enfrenta hoje uma ameaça crescente de atividades ilegais que comprometem sua integridade. Na última década, mais de 30% do desmatamento na região amazônica esteve associado à exploração madeireira ilegal; a mineração de ouro clandestina contamina rios e solos com mercúrio, afetando a saúde de milhares de comunidades; e estima-se que 60% da madeira comercializada em alguns países amazônicos tenha origem ilícita. Essas atividades degradam a biodiversidade, enfraquecem as instituições e violam os direitos das populações locais.
A ilegalidade também alimenta redes criminosas que geram violência, tráfico de pessoas, trabalho forçado e exclusão social. Segundo a ONU, o crime organizado ligado a economias ilícitas na Amazônia movimenta bilhões de dólares por ano, perpetuando ciclos de pobreza e insegurança em um território que deveria ser sinônimo de vida e oportunidades.
Essa problemática ultrapassa as fronteiras nacionais. Mercados internacionais frequentemente compram sem a devida diligência, reforçando cadeias de fornecimento ilegais. Ao manter uma demanda constante por produtos de origem duvidosa, contribuem diretamente para a perpetuação do desmatamento, da degradação ambiental e das economias ilícitas. Nesse contexto, o combate ao crime organizado e ambiental — tanto na oferta quanto na demanda — deve sempre respeitar as legislações nacionais e as instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
As empresas latino-americanas reconhecem que essa realidade é uma das principais barreiras ao desenvolvimento sustentável da região. Sem frear a ilegalidade, é impossível consolidar um modelo de prosperidade inclusivo, resiliente e de baixo carbono.
Nossos compromissos
Como empresas e entidades empresariais do Peru e de toda a América Latina, articuladas por meio de Perú Sostenible e CEBDS, através do Comunicado Empresarial Brasileiro para a Amazônia, representantes do WBCSD no Peru e no Brasil, além de seus aliados regionais, assumimos o compromisso de:
- Dar visibilidade e enfrentar com urgência a ilegalidade na Amazônia, reconhecendo que a proteção deste ecossistema é condição essencial para garantir o futuro ambiental, social e econômico da América Latina.
- Impulsionar oportunidades de desenvolvimento sustentável e inclusivo, como bionegócios, cadeias de valor sustentáveis e empregos dignos que ofereçam alternativas reais às comunidades amazônicas.
- Promover marcos regulatórios sólidos, claros e previsíveis que previnam danos ambientais e garantam segurança jurídica à população e às atividades econômicas formais e responsáveis.
- Fortalecer o controle sobre nossas cadeias de valor, impedindo que produtos de origem ilegal entrem no mercado formal e assegurando maior rastreabilidade e transparência.
- Estimular a colaboração público-privada e multissetorial, cientes de que o combate à ilegalidade só será eficaz se governos, empresas, sociedade civil e povos indígenas atuarem em conjunto.
- Defender a Amazônia como patrimônio comum da América Latina e do mundo, reconhecendo que sua proteção é indispensável para o cumprimento dos compromissos climáticos e de desenvolvimento sustentável globais.
- Conclamar os países desenvolvidos e os mercados internacionais a garantir regras claras de comércio, rastreabilidade e consumo responsável, reconhecendo que a ilegalidade não se sustenta sem demanda externa. A proteção da Amazônia exige corresponsabilidade global.
A Amazônia não pode esperar. Agir agora contra a ilegalidade é a única forma de garantir um futuro de prosperidade compartilhada, segurança e sustentabilidade para nossa região e para o planeta.


