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Um momento novo: Brasil pode assumir protagonismo inédito no cenário global do desenvolvimento sustentável

  • Publicado em 05/07/2023

Com G20 no ano que vem e Conferência do Clima da ONU, a COP30, em Belém em 2025, o país terá grande oportunidade para reforçar seu “soft power” na seara ambiental

Por Marina Grossi*

O Brasil está em um momento singular e ao mesmo tempo decisivo de sua história, e, a depender dos passos que assumir até o final da década, poderá reinventar sua economia e assumir um protagonismo inédito no cenário global. A começar pela presidência do G20 no ano que vem e passando pela realização da Conferência do Clima da ONU, a COP30, em Belém em 2025, o país terá grande oportunidade para reforçar seu “soft power” nas questões ligadas ao desenvolvimento sustentável. E, pela primeira vez, estamos vendo a transversalidade dessa agenda ganhar espaço em diversas instâncias de governo.

Ao longo dos últimos dois meses, o setor empresarial tem acompanhado as definições sobre o Plano de Transição Ecológica do governo federal, que vem sendo chamado de “Pacote Verde” e pretende colocar na ordem do dia medidas econômicas que devem posicionar o Brasil na rota da economia de baixo carbono com inclusão social. Esse pacote, que está sendo capitaneado pelo Ministério da Fazenda, está previsto para ser lançado no segundo semestre e deve trazer em seu cerne medidas que há tempos são defendidas pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Um dos pontos de maior destaque é a criação de um mercado regulado de carbono até a realização da COP28, em Dubai, no final do ano. O plano da Fazenda prevê ainda incentivos para a emissão de títulos verdes e a classificação de atividades conforme seu impacto ambiental e climático, a chamada taxonomia verde.

O setor empresarial brasileiro acredita que tem muito a contribuir com a adoção de medidas que estimulem o desenvolvimento sustentável do país. Nesse sentido, o Conselho de Líderes do CEBDS, formado pelos CEOs de grandes grupos, se reuniu com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no dia 16 de junho para discutir prioridades na adoção dessa agenda, expressos em uma carta entregue ao ministro. Levamos sugestões no campo da bioeconomia, mercado de carbono, saneamento básico, energia, floresta amazônica, infraestrutura e incentivos econômicos que possam colocar o Brasil, definitivamente, na rota da economia de baixo carbono com inclusão social. Antes, o Conselho já havia reforçado esses pontos em encontro com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e com a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

A ação encontra eco quando olhamos os principais percalços que as empresas enfrentam em suas jornadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e avançar nas estratégias de baixo carbono. Descobrir onde o calo aperta motivou o CEBDS a lançar um estudo em parceria com a consultoria BCG, que envolveu mais de 50 companhias dos mais variados setores – agronegócio, energia, mineração, transporte e saneamento, entre outros. O levantamento, inédito no Brasil, aponta que as principais dificuldades das empresas na jornada net zero estão ligadas a incertezas regulatórias (64% das entrevistadas), ao engajamento dos fornecedores (49%) e à ausência de referências setoriais, para 38%.

Mesmo apontando essas incertezas, o fato é que o setor empresarial brasileiro está convencido de que o futuro será de baixo carbono. Prova disso é que 90% das companhias entrevistadas calculam suas emissões de gases de efeito estufa e 79% possuem uma estratégia clara para mitigar sua pegada de carbono, decisões que partem das lideranças e também das pressões de mercado, especialmente de investidores. O estudo dá algumas pistas sobre o que pensam as empresas brasileiras sobre a necessidade de políticas públicas para dar aquele empurrão na transição para a descarbonização dos negócios. Para 97% das entrevistadas, a regulação econômica é a mais relevante, seguida por programas e marcos regulatórios setoriais, para 92%.

“A combinação entre estratégias de negócios e um ambiente regulatório que seja seguro para a realização de investimentos parece ser o ideal para que a agenda do desenvolvimento sustentável avance ainda mais no Brasil.“

Temos uma vanguarda empresarial que, a despeito das dificuldades mapeadas pelo estudo do CEBDS com a BCG, tem visão de futuro e interesse no diálogo construtivo com os governos nesta agenda. São oportunidades para o Brasil reforçar seu protagonismo, mas é fundamental agir agora, pois essa janela de oportunidade é única e curta. O mundo tem até 2030 para se colocar definitivamente na rota de uma economia com baixas emissões de carbono, sob risco de sofrermos ainda mais as consequências drásticas dos piores cenários das mudanças climáticas. Temos a oportunidade de nos tornarmos líderes na nova geopolítica e, ao mesmo tempo, aproveitar nossos ativos ambientais para reduzir nosso passivo social.

* Marina Grossi é presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), entidade com mais de 110 empresas associadas cujo faturamento somado equivale a quase 50% do PIB brasileiro

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