COP22 reafirma Acordo de Paris e aponta caminhos para o financiamento climático

“Nada pode parar a ação climática global”. Esse foi o recado da 22ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP22), que terminou neste sábado (19), após duas semanas de discussões e negociações em Marraquexe, no Marrocos. A reiteração dos compromissos assumidos pelos países com o Acordo de Paris e o amplo debate envolvendo governos, empresas e sociedade civil na busca de caminhos para o financiamento climático foram as tônicas do encontro.

“No início da COP, o grande desafio era os países mostrarem que estão realmente comprometidos com as metas do Acordo de Paris, tirando o foco da negociação e partindo para a implementação. O lema desta Conferência foi como aumentar e efetivar as ambições climáticas. Nesse contexto, o setor financeiro teve papel crucial”, afirma a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi.

A Conferência trouxe muitas discussões sobre financiamento climático e mecanismos econômicos capazes de viabilizar a transição para economia de baixo carbono, como a precificação de carbono, um dos destaques do encontro. Nesse sentido, o reconhecimento da parceria das empresas e do setor financeiro no alcance das metas do Acordo foi fundamental, como sinaliza Lilia Caiado, coordenadora das Câmaras Temáticas de Clima e Energia e Finanças Sustentáveis do CEBDS.

Para ela, o setor empresarial foi protagonista no encontro. “O avanço no reconhecimento e participação do business na implementação desses compromissos e ambições foi evidente e está presente no documento Marrakesh Partnership for Global Climate Action”, afirmou.

O documento Marrakesh Partnership, lançado ao final da COP, indica ainda que serão necessários investimentos adicionais de US$ 3 trilhões para incrementar a infraestrutura de baixo carbono e tornar possível a meta global de manter a temperatura 2º C abaixo dos níveis pré-industriais.

Para o governo brasileiro, a COP22 constituiu um ponto de partida para a efetiva implementação do Acordo de Paris e cumprimento das metas nacionalmente determinadas. A delegação brasileira esteve representada nas mesas de negociação pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, e o embaixador José Antônio Marcondes. As principais discussões e posicionamentos do Brasil na COP22 podem ser consultados aqui.
CEBDS LANÇA PUBLICAÇÃO SOBRE PRECIFICAÇÃO NA COP22

Durante o encontro, o CEBDS lançou a publicação “Precificação de carbono: o que o setor empresarial precisa saber para se posicionar“, elaborado em parceria com o CDP (antigo Carbon Disclosure Project) e apoio do We Mean Business.

O objetivo da publicação é prover ao empresariado brasileiro toda a informação necessária sobre os mecanismos de precificação do carbono, sua eficácia na redução de emissões, benefícios ao desenvolvimento socioeconômico, impactos sobre a competitividade dos diferentes setores e como as empresas se inserem nesse processo.