Evento promovido pelo BCG, WBCSD e CEBDS, em colaboração com a AIBA e o Ministério da Agricultura e Pecuária discute como aumentar a competitividade da atividade agropecuária no Cerrado, conciliando produtividade e conservação através da agricultura regenerativa
São Paulo, 23 de abril de 2025 – Nos dias 15 e 16 de abril, a cidade de Luís Eduardo Magalhães (BA) foi palco do Action Agenda on Regenerative Landscapes (AARL) Cerrado Summit, um evento preparatório para a COP30, organizado pelo Boston Consulting Group (BCG), World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em colaboração com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Estimulando a discussão de líderes governamentais, do setor financeiro e empresarial, de produtores rurais e representantes da sociedade civil sobre como acelerar a adoção de práticas de agricultura regenerativa no bioma Cerrado, a conferência se debruçou sobre três pilares chave para alavancar essa transição: financiamento, métricas viáveis e políticas públicas. Essas são as áreas de enfoque do LAB (o acelerador de paisagens regenerativas, na sigla em inglês), uma iniciativa do WBCSD, BCG e CEBDS em parceria com o Mapa que reúne empresas e bancos para catalisar a transição para paisagens regenerativas.
“O AARL Cerrado Summit foi um espaço para construir alinhamentos nas prioridades para dar escala à agricultura regenerativa no Cerrado. O evento buscou qualificar as necessidades de capital, identificar o que é necessário para uma plataforma eficaz de oferta e demanda de capital no Cerrado, criar convergência sobre o conceito de paisagens regenerativas por meio de métricas de monitoramento, e discutir oportunidades para destravar o financiamento e atender às necessidades de MRV (monitoramento, relato e verificação)”, comenta Marcelo Behar, conselheiro sênior para a COP30 do WBCSD e CEBDS.
Durante a ocasião, o Boston Consulting Group (BCG) apresentou os principais resultados do relatório “Resiliência para o Futuro: Um caminho viável para paisagens regenerativas no Cerrado“, que destaca o potencial do Cerrado brasileiro para conciliar produtividade e conservação por meio da agricultura regenerativa e do manejo sustentável da terra.
“O estudo aponta que o Cerrado responde por 55% da produção agrícola primária do Brasil, impulsionando a produção de commodities essenciais como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão em caroço, aves e gado. Com a restauração de 23,7 milhões de hectares de pastagens degradadas, combinada com a adoção de técnicas sustentáveis em outros 8,6 milhões de hectares, pode expandir a produção agrícola sem a necessidade de conversão de novas áreas. Para alcançar esse potencial, no entanto, é necessário US$ 55 bilhões em investimentos”, explica Arthur Ramos, diretor executivo e sócio do BCG.
Além disso, o primeiro dia mostrou a urgência da transição para um sistema agroalimentar e de uso da terra mais sustentável, dado que o Brasil emitiu 2,3 bilhões de toneladas de CO2 em 2023, com 74% provenientes de mudanças no uso da terra e agricultura.
“O investimento em agricultura regenerativa e uso sustentável da terra são essenciais para equilibrar produtividade e gestão ambiental. Estimativas indicam que 32,3 milhões de hectares no Cerrado apresentam uma oportunidade única para escalar a agricultura regenerativa, com potencial para expandir a produção de soja em mais de 60 milhões de toneladas por ano até 2050 e aumentar a produção de carne bovina em 1 milhão de tonelada, gerando um aumento anual de até US$ 20 bilhões no PIB do Cerrado até 2050”, reforça Juliana Lopes, Diretora de Natureza e Sociedade do CEBDS.
Já no segundo dia, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar a agricultura regenerativa em larga escala na Fazenda Triunfo Verde e visitar projetos de restauração organizados pela iniciativa Parque Vida Cerrado.
“Investir no desenvolvimento sustentável do Cerrado não é apenas uma necessidade ecológica, mas também uma oportunidade econômica significativa. O Cerrado pode e deve ser território de um novo pacto […] que constrói um futuro em que produção e conservação caminham lado a lado”, aponta Moisés Schmidt, produtor rural e presidente da AIBA.
O secretário de inovação, desenvolvimento sustentável, irrigação e cooperativismo do Mapa, Pedro Alves Corrêa Neto, destacou a relevância dos temas discutidos durante o AARL Cerrado Summit para a agenda de ação para a agricultura e sistemas agroalimentares sendo desenvolvida pelo governo brasileiro para a COP30. “A intenção da agenda de ação é convergir as agendas de biodiversidade, desertificação e climática e esse evento aborda temas centrais em direção à COP30”, finaliza.
Sobre o Boston Consulting Group
O Boston Consulting Group atua em parceria com lideranças empresariais e sociais para ajudá-las a enfrentar seus desafios mais importantes e capturar as melhores oportunidades. Fundado em 1963, o BCG é pioneiro em estratégia de negócios. Trabalhamos lado a lado com nossos clientes por meio de uma abordagem transformadora que abrange os interesses das partes envolvidas — capacitando organizações para crescer, construir vantagens competitivas mais sustentáveis e gerar impacto positivo na sociedade. Nossas equipes globais são pautadas pela diversidade e têm profundo conhecimento técnico-funcional em diferentes indústrias, além de múltiplas perspectivas que estimulam a mudança. O BCG oferece soluções por meio de consultoria estratégica de ponta, aliada à tecnologia e design, assim como corporate e digital ventures. Adotamos um modelo de trabalho colaborativo único em toda a empresa e em todos os níveis da organização dos clientes, impulsionados pelo objetivo de ajudá-los a prosperar para tornar o mundo um lugar melhor. Para obter mais informações, acesse www.bcg.com.
Sobre o CEBDS
O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove, desde 1997, o desenvolvimento sustentável no Brasil, por meio da articulação junto aos governos e à sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. Voz do setor empresarial, o CEBDS reúne 120 dos maiores grupos empresariais do país, além de ser o representante brasileiro do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que está presente em 36 países e conta com 200 empresas associadas no mundo.
Sobre o WBCSD
O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) é uma comunidade global composta por mais de 240 das principais empresas do mundo, impulsionando a transformação sistêmica para um futuro melhor, no qual mais de 9 bilhões de pessoas possam viver bem, dentro dos limites planetários em 2050. Juntos, transformamos os sistemas nos quais operamos para reduzir os impactos da crise climática, restaurar a natureza e combater a desigualdade.
Aceleramos a transformação das cadeias de valor em setores-chave e reformulamos o sistema financeiro para recompensar a liderança sustentável e a ação responsável por meio de um menor custo de capital. Por meio de trocas de melhores práticas, melhoria do desempenho, acesso à treinamentos, parcerias e influência na agenda política, impulsionamos o progresso nas empresas e aprimoramos a responsabilidade sobre seus resultados.
