Por Giuliana Ortega*
A crise climática é, antes de tudo, uma crise de saúde. Não há como separar uma dimensão da outra. Quando o ar está mais poluído, quando a água se torna escassa, quando as temperaturas sobem além do suportável, não é apenas o planeta que sofre – somos todos nós.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, entre 2030 e 2050, as mudanças no clima possam causar 250 mil mortes adicionais por ano. Hoje, mais de 90% da população mundial já respira ar em níveis de poluição acima do recomendado. Esses dados são duros, mas necessários: mostram que cuidar do clima é cuidar da vida.
E não se trata de um problema distante, reservado às próximas gerações. Já sentimos os impactos agora. Ondas de calor extremo podem levar idosos aos hospitais. Alterações nos padrões de chuva podem favorecer a expansão e a reprodução de vetores de doenças, como mosquitos e carrapatos. Enchentes podem espalhar doenças em comunidades inteiras. Crianças, idosos e populações mais vulneráveis são sempre as primeiras a sentir o impacto. A crise climática, no fundo, é também uma crise de equidade e justiça social.
O que fazer diante disso? Políticas públicas são fundamentais para dar direção e segurança a investimentos de longo prazo. Mas o setor privado também precisa agir com rapidez. Empresas têm alcance, capacidade de mobilização e responsabilidade sobre cadeias inteiras de produção e consumo. Portanto, dedem assumir o papel que nos cabe nessa urgência coletiva.
E a lacuna é enorme: de acordo com o relatório Climate Action Fast Facts da ONU, embora a maioria dos países identifique a saúde como um setor prioritário e vulnerável às mudanças climáticas, menos de 2% do financiamento climático multilateral é destinado a projetos de saúde.
Apesar dos grandes desafios a serem superados, é preciso também dizer que temos visto avanços em diversos setores. Aqui na RD Saúde, por exemplo, já migramos toda a nossa operação para energia renovável, incluímos veículos elétricos em nossa frota, passamos a atuar junto a startups para solucionar desafios ambientais em nossa operação e temos trabalhado lado a lado com nossos fornecedores para apoiá-los em suas jornadas de descarbonização. Além de mitigar emissões, buscamos também elevar o debate sobre a conexão entre saúde e clima, um dos pilares de nossa atuação em Impacto Social, promovendo diálogos e advocacy junto a diferentes atores do setor e da sociedade civil. São passos que, sozinhos, não resolvem o problema. Mas provam que há caminhos possíveis quando o setor privado se compromete.
Ainda assim, sabemos que nenhuma iniciativa isolada é suficiente. Precisamos de cooperação internacional, inovação tecnológica, coragem política e, sobretudo, da consciência de que saúde e clima são indissociáveis. Se o planeta adoece, nós adoecemos com ele.
Talvez a pergunta que devamos nos fazer seja simples, mas urgente: estamos prontos para agir na velocidade que a crise exige.
*Diretora de Sustentabilidade da RD Saúde.

