Por que a transição climática é uma agenda de negócios

Por Marina Grossi e Flavio Souza para o Estadão*

A COP-30 será um teste de liderança. Se bem-sucedida, pode consolidar o protagonismo do Brasil em uma agenda que interessa ao mundo e definirá o rumo da economia nas próximas décadas. Além dos aspectos ambientais e morais, a transição climática é uma pauta de negócios que mobilizará US$ 10 trilhões até 2050, segundo a McKinsey. Nesse cenário, o setor empresarial assume papel central, ao equilibrar risco, oportunidade e geração de valor.

Para o Brasil, o sucesso da COP — e da transição climática — pode agregar até US$ 100 bilhões ao PIB e gerar 6,4 milhões de empregos até 2030. É a oportunidade da década e pode ser um novo vetor de crescimento do País.

Os sinais de urgência são claros: enchentes no Sul, seca prolongada no Centro-Oeste e rios da Amazônia em níveis historicamente baixos já afetam a economia e custam vidas. A pauta climática é, em seu cerne, gestão de riscos.

O Itaú entende que liderar o mercado significa liderar a transição climática. O papel empresarial é indispensável, e organizações como o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) são essenciais para dar tração à agenda e fortalecer a articulação com o poder público. Cabe ao governo definir regras, mas a implementação depende das empresas, que têm expertise para escalar tecnologias, mobilizar capital e transformar compromissos em resultados mensuráveis.

O Brasil reúne condições excepcionais: matriz elétrica, sobretudo limpa; potencial solar e eólico em larga escala; e possibilidade de triplicar a produção agrícola apenas restaurando áreas degradadas.

Nossa indústria já emite menos gases do que as europeias, chinesas ou americanas, criando o potencial de um “Selo Brasil” de sustentabilidade, que exporta valor econômico, biodiversidade e carbono sequestrado.

O Itaú se comprometeu a mobilizar R$ 1 trilhão até 2030 em finanças sustentáveis e participou dos primeiros leilões do Eco Invest, direcionando capital a projetos verdes. Já o Cebds, com cerca de 120 empresas associadas, tem sido aliado histórico dessas transformações.

O mercado de carbono está em estruturação, e a taxonomia sustentável nacional começa a classificar atividades industriais.

As empresas que se posicionarem à frente dessa transformação serão as líderes do próximo século. Sustentabilidade e negócios precisam se encontrar. O Brasil pode encerrar a COP-30 não apenas como anfitrião, mas como líder global da transição, transformando compromissos em implementação e impacto climático em estratégia de negócios.

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