A agricultura como parte crucial da solução climática

O aquecimento global é certamente um dos maiores desafios que a humanidade já enfrentou. Segundo projeções da ONU, seremos quase 10 bilhões de pessoas em 2050, ou seja, 2 bilhões a mais do que hoje. Para seguir provendo essa população crescente de itens essenciais para a vida, em especial de alimentos, temos de transformar o nosso sistema produtivo e migrar para uma economia de baixo carbono. Precisamos promover uma Revolução Verde. Só assim será possível limitar o aumento médio de temperatura global a 2°C, com esforços para restringir a 1,5°C, quando comparado aos níveis pré-industriais.

A agricultura, atividade crucial para produção de alimentos e de outros produtos vitais, como roupas e energia, é vista por muitos como parte do problema. Porém, a ciência já demonstrou que o trabalho no campo pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar a sequestrar carbono da atmosfera e, assim, nos permitir alimentar o mundo de maneira cada vez mais sustentável.

Um amplo repertório de técnicas pode ajudar a recuperar o solo, armazenando o carbono que iria para a atmosfera. O modelo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), por exemplo, agrega na mesma propriedade diferentes sistemas produtivos – grãos, fibras, carne, leite e agroenergia, além da manutenção da floresta. Já a diversificação de culturas ajuda na recuperação de solos degradados e minimiza riscos para o produtor, que terá cada vez mais oportunidades de expandir sua produção ao mesmo tempo em que reduz seu impacto ambiental. Pastagens bem manejadas também têm grande potencial para funcionar como áreas de sequestro de carbono. É a adoção de medidas como essas que pode fazer a diferença para frear as mudanças climáticas e ainda nos permitir promover desenvolvimento socioecônomico.

A JBS, segunda maior indústria de alimentos do mundo e líder global no setor de proteína, compreendeu sua responsabilidade nessa transição para uma economia de baixo carbono, justamente por estar na interesecção entre o produtor do campo e o consumidor. Assumimos em março deste ano o compromisso de ser Net Zero até 2040, ou seja, vamos zerar nosso balanço líquido de emissões de gases de efeito estufa, contemplando emissões diretas e de toda a nossa cadeia de valor. Parte do nosso plano consiste em ampliar a escala das soluções de agricultura regenerativa e investir em pesquisa e desenvolvimento para desenvolver tecnologias para os problemas ainda não solucionados. Assim, faremos nossa parte para que a Revolução Verde se concretize.

O mundo ainda não tem todas as respostas necessárias para enfrentar as mudanças do clima. Mas já há a certeza de que a agricultura pode e deve ser parte da solução. Cabe a todos nós concentrarmos nossos esforços para concretizar essa transformação sustentável.

 

Por Gilberto Tomazoni

CEO Global da JBS

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