Departamento Nacional do Sesc contribui para a conservação do Pantanal

Maior planície alegável do mundo, o Pantanal vive um dos piores períodos da sua história, com o avanço dos incêndios florestais nos dois estados onde está localizado: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Dos 15 milhões de hectares, área total do bioma, 1,55 milhão já foram atingidos pelo fogo.

Seca severa, baixa umidade do ar, ventos fortes e falta de acesso colaboram para o pior cenário dos últimos 22 anos.  Para combater o fogo, que destrói a fauna e flora de unidades de conservação, invade comunidades tradicionais de pantaneiros e indígenas, além de propriedades privadas, o Ministério da Defesa deflagrou a Operação Pantanal, em 25 de julho, no Mato Grosso do Sul.

Com a significativa redução dos focos neste estado, as ações foram estendidas à porção norte do Pantanal, em Mato Grosso, que corresponde a um terço do bioma. De acordo com o mapeamento realizado por satélites, atualmente grande parte dos pontos de queimadas está concentrada na região de Poconé, Barão de Melgaço e uma área em Porto Jofre, na fronteira dos dois estados, que somam 320 mil hectares, até o momento.

Em Mato Grosso, onde está localizada a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, 44 dos 108 mil hectares já foram consumidos pelo fogo.

A ação é inédita e realizada pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman), Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira, Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Secretaria de Estado de Meio Ambiente, UFMT e Polo Socioambiental Sesc Pantanal.

Entre os recursos empregados na operação estão o Super Cougar (UH-15) da Marinha do Brasil, o Black Hawk (UH-60) da FAB, duas aeronaves Air Tractor do Corpo de Bombeiros, aeronave do Sesc Pantanal, camionetes, vans, caminhões pipas, quadriciclos, abafadores, bombas costais, sopradores e Unidade de Resgate Móvel. Mais de 2 milhões de litros de água já foram utilizados em 10 dias de operação, que reúne mais de 100 pessoas e tem prazo indefinido.

Impactos das queimadas

A atuação pioneira de conservação no Pantanal de Poconé pelo Departamento Nacional do Sesc começou há 24 anos, com a criação da RPPN, logo após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992. Também conhecida como Eco-92, ela reuniu mais de 100 chefes de Estado para debater formas de desenvolvimento sustentável, um conceito relativamente novo na época.

A área da RPPN Sesc Pantanal representa 2% do Pantanal mato-grossense, o que dá a dimensão da importância da área para o bioma. Por isso, são muitos os impactos nos diferentes elementos que a compõe.

Para a vegetação, como o Pantanal tem uma influência muito grande de diversos tipo de fisionomia do cerrado, tem ambientes com mais resistência e outro com menos resistência ao fogo. Onde tem menos resistência ao fogo, vai ter mais dificuldades de regeneração, que são as áreas mais úmidas. Aqueles locais que têm matas mais secas, com mais mecanismos de defesa, que são mais próximos do cerrado, vão regenerar mais rápido, mas, ainda assim, a escala de tempo não é possível detalhar por ser uma grande área.

Com relação aos animais, para os insetos é uma perda bastante acentuada nesse momento de incêndio, porque são animais que não têm mobilidade de longo alcance, muitos deles são polinizadores, então pode chegar a impactar até no desenvolvimento das plantas. Para os répteis também há prejuízos, pois são animais que não têm muita mobilidade e acabam sendo consumidos pelo fogo, tantos os animais como os ninhos com ovos e filhotes. As aves até conseguem migrar entre um ambiente e outro, mas perdem-se ninhais e dormitórios, o que representa a perda de uma geração, já que estamos bem na estação reprodutiva da arara azul, do tuiuiú. Além de afetar os ninhos e dormitórios desses animais, afeta também a disponibilidade de recursos de alimentação. A arara azul, por exemplo, se alimenta de acuri, que está em áreas que foram atingidas pelo fogo, tanto na reserva quando no entorno, na Fazenda São Francisco, por exemplo.

Alguns mamíferos conseguem se refugiar e escapar dos incêndios, mas isso causa um outro problema, pois eles começam a se refugiar em comunidades, cidades. E muitos deles, mesmo escapando, por causa da fumaça e do calor, perdem o sentido de direção, as vias respiratórias ficam prejudicadas. Eles escapam do fogo, mas há risco de adoecerem naquele ambiente, o que reduz sua capacidade de sobrevivência.

Em 24 anos de existência, mais de 70 pesquisas foram realizadas na RPPN. As que estão em andamento ficam comprometidas neste momento. A da onça pintada, por exemplo, já tinha locais específicos de monitoramento e boa parte deles foi atingido pelos incêndios.

Após o incêndio de 98, que atingiu praticamente toda a área da reserva (naquela época era uma área pouco menor que a atual), este é o maior incêndio da história da RPPN.

Desde esta primeira experiência, são 20 anos de aprimoramento das tecnologias para combate e prevenção a incêndios, que acontece em todas as estações, a partir do plano de prevenção e combate, que inclui monitoramento, apoio a comunidade e campanha de conscientização dos ribeirinhos.

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