Setor privado brasileiro debate desmatamento na Climate Week de Nova York

Marina Grossi, presidente do CEBDS, participou de painel virtual e falou da possibilidade de o Brasil atingir seus compromissos de redução de emissões com o combate ao desmatamento.

 

O debate sobre a neutralidade climática, o desmatamento e como os estados e empresas se relacionam com os temas na Amazônia brasileira é urgente e ganha força no país. Uma pesquisa do Instituto Clima e Sociedade (ICS) revela que essa agenda entrou na sociedade brasileira em geral, 85% dos entrevistados afirmaram que a proteção ambiental da Amazônia é um dos fatores decisivos nas eleições de 2022. 

Um painel virtual da Climate Week de Nova York, que promove centenas de eventos para debater a o tema pelo mundo entre os dias 20 e 26 de setembro, discutiu os problemas da região.

Diante da força que a emergência climática deu aos assuntos da Amazônia, o Brasil tem oportunidade de contribuir com o debate mundial na COP26, que será realizada em novembro deste ano. 

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) desde 2010, participou da sala online e apresentou os desafios e avanços do setor privado no Brasil.

“O desmatamento é o nosso elefante na sala, ele representa 48% do nosso perfil de emissões, completamente diferente do resto do mundo. Desse todo, 98% é desmatamento ilegal. Se a gente acabasse com o desmatamento, a gente responderia a nossa NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), que é o compromisso que a gente firmou no Acordo de Paris, a gente contribuiria com 80% da nossa NDC, até 2030. Vejam que é um problema que a gente consegue dar solução”, pontuou. 

Um assunto que deve ser muito discutido em Glasgow – onde será realizada a COP26 – são as soluções baseadas na natureza (Para entender as Soluções Baseadas na Natureza), de acordo com Marina Grossi. Segundo uma pesquisa do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), as soluções baseadas na natureza podem representar 37% das soluções para os eixos temáticos definidos no Acordo de Paris.

Esse é o momento para gente mostrar ações. E o Brasil é um país muito mais limpo que a maioria. Talvez seja o único do mundo que pode estar cumprindo a sua NDC, de emissão líquida zero de gases de efeito estufa até 2050, sem tecnologias novas, apenas combatendo o desmatamento ilegal e promovendo agricultura de baixo carbono”, afirmou.

Marina Grossi ainda destacou a luta pela inserção do Brasil no mercado de carbono, uma ação prática que pode gerar condições de avançar com as pautas climáticas.

“Desde 2017, a gente está junto do Ministério da Economia mostrando que o mercado de carbono pode ser implementado. O setor industrial está falando que quer ser regulado para esse mercado, que quer entrar no jogo que já acontece em 25% do mundo. Esse é um ponto importante que não avançou pelo ministério, mas acabou avançando no legislativo e hoje a gente tem um PL (projeto de lei). O CEBDS preparou junto com várias instituições um substitutivo para esse PL, o PL 528, sinalizando que a gente está em outro momento”, explicou.

Participaram também do painel o secretario de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, que está à frente da Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas; a secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso, Mauren Lazzareti; o pesquisador e biólogo Roberto Waak, representante da iniciativa Concertação Pela Amazônia; o diretor de sustentabilidade da Marfrig, Paulo Pianez; e o diretor de sustentabilidade da Natura, Keyvan Macedo. Os governadores dos estados do Amazonas, Mato Grosso e Pará, respectivamente Wilson Lima, Mauro Mendes e Helder Barbalho, também apresentaram seus esforços.

Assista ao painel completo aqui.

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