Solução climática passa pela “universalização” da Economia Circular

Por Susana Carvalho, Diretora Executiva da JBS Fertilizantes e Ambiental.

O desafio que todos nós temos diante do aquecimento global é enorme. As mudanças climáticas já chegaram e mostraram do que são capazes de provocar na economia e na vida de todos nós. O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) publicado em 9 de agosto, mostra que a influência humana é responsável por uma alta de 1,07°C na temperatura global. E alerta: governos de todo o mundo devem fazer um grande esforço para obter, agora, uma meta negativa de emissões, pois somente zerar as emissões de gases poluidores até 2050 é insuficiente para reparar os danos causados.

Ainda podemos mudar esse cenário? Eu acredito que sim. Com base na ciência, estratégias de sustentabilidade bem planejadas, seguidas à risca por empresas e governos, podemos transformar nossa relação com a natureza, transitando para uma economia de baixo carbono.

Uma eficiente estratégia para conseguir isso é a Economia Circular. Trata-se de uma completa revolução no modelo produtivo atual, o linear, que consiste em um ciclo “extrair-produzir-descartar”, esgotando os recursos naturais e gerando muitos resíduos. Em seu lugar, surge a Economia Circular, que busca aproveitar  ao máximo os recursos em fluxos cíclicos.

Na JBS Ambiental, nosso braço especializado em Economia Circular, os resíduos das fábricas da Companhia se transformam em produtos de valor agregado. Entre os projetos destaco o “piso verde”, desenvolvido a partir de sobras de plástico utilizado para embalar a vácuo produtos in natura. Assim, um resíduo que viraria lixo, porque não pode ser reciclado, acaba utilizado na pavimentação de unidades da própria JBS em todo o Brasil.

Há também o reaproveitamento do couro que vem da cadeia da pecuária. Com o conceito inovador do Kind Leather, 100% do couro que seria descartado é usado para fabricação de produtos para os setores automotivo, moveleiro, de calçados e artefatos.

Além disso, a Economia Circular também pode – e deve – ser aplicada na área de energia. Os combustíveis fósseis, como carvão, gás natural e petróleo são os principais causadores do efeito estufa e devem ser substituídos por fontes de energia renovável. Na Biolins, complexo industrial da JBS, há o uso de biomassa a partir do bagaço de cana, pó de serra, casca de amendoim e de arroz, e cavaco de eucalipto para gerar energia termelétrica e a vapor. A unidade tem capacidade de geração de energia equivalente a 20% do que é utilizado por todas as unidades da JBS no Brasil. Há também a JBS Biodiesel, maior produtora do Brasil de biodiesel à base de óleo de fritura usado e resíduos orgânicos, com capacidade atual de produção de 350 milhões de litros por ano. A Companhia tem unidades de produção em Lins (SP) e Campo Verde (MT). Em breve a terceira, em Mafra (SC), estará em operação. Há diversos exemplos pelo mundo que podemos citar. São ações que servem de estímulo para a adoção de novas fontes de energia e incentivo a novas estratégias para transformar todos os resíduos em recursos sustentáveis e produtivos.Uma nova revolução verde é crucial para enfrentarmos as mudanças climáticas e tornar a Economia Circular o padrão produtivo global é parte essencial dessa jornada.

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