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Assegurando o Crescimento Econômico e a Sustentabilidade Ambiental no Brasil

  • Publicado em 02/08/2013

Por Janet Ranganatha (WRI) e Marina Grossi

A economia do Brasil tem estado em franco crescimento. Ao longo da última década, subiu da nona para a sexta maior economia do mundo. Embora este crescimento tenha trazido muitos benefícios socioeconômicos, acarretou uma desvantagem: impactos ambientais significativos. O Brasil tem uma das maiores taxas de desmatamento  do mundo e a poluição ameaça o abastecimento de água potável no País. Apesar de uma recente queda nas emissões nacionais de gases de efeito estufa, as emissões agrícolas e a demanda energética continuam a crescer.

Essa faca de dois gumes levanta uma pergunta importante: o Brasil, com tantas hotspots de biodiversidade e a maior floresta tropical do mundo, vai ter que optar entre o crescimento econômico e a conservação ambiental? Um grupo de grandes empresas acredita que não e está começando a demonstrar que o setor empresarial no Brasil pode ser as duas coisas: sustentável e lucrativo.

Um novo tipo de parceria

Ao longo do último ano, oito multinacionais vem trabalhando no âmbito da Parceria Empresarial pelos Serviços Ecossistêmicos (PESE) para explorar como seus negócios impactam e ao mesmo tempo dependem do meio ambiente. Os participantes abrangem setores tão diversos quanto varejo (Walmart), mineração (Anglo American, Vale e Votorantim), cosméticos (Natura), agronegócios (Grupo André Maggi) e alimentos e bebidas (Danone e PepsiCo).

A PESE aborda a relação entre o desempenho corporativo e os serviços ecossistêmicos. O termo refere-se à gama de benefícios fornecidos pela natureza, como a provisão de água limpa e a polinização de culturas. Esses serviços podem sustentar o desempenho de uma empresa, mas são, muitas vezes, desconsiderados.

As empresas da PESE estão avaliando seus impactos e dependências sobre os serviços ecossistêmicos com uma ferramenta chamada Revisão Corporativa de Serviços Ecossistêmicos(RSE). As lições que estão aprendendo começam a moldar suas práticas comerciais – e poderiam ser um exemplo poderoso para inspirar outras empresas no Brasil.

Às empresas sócias da PESE se juntaram o World Resources Institute (WRI), o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) e a Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID).

Ganhos na cadeia de fornecimento para os negócios e para a natureza

Veja a agricultura, por exemplo. É um vetor importante do desmatamento no Brasil. A resultante perda de serviços ecossistêmicos florestais, como a regulação do clima e da água, ameaça, por sua vez, o fornecimento de produtos agrícolas no País. As empresas, portanto, enfrentam riscos operacionais e de reputação como resultado dessas alterações ambientais.

As empresas da PESE estão começando a identificar e mitigar esses riscos relacionados ao meio ambiente. Por exemplo:

O Grupo André Maggi, um dos principais atores da soja no Brasil, está usando o RSE para ajudar a assegurar um abastecimento sustentável de combustível de biomassa de madeira para fornecer energia para suas operações na Amazônia. As equipes de sustentabilidade e operações da empresa se juntaram para desenvolver uma estratégia de compras de biomassa mais econômica e mais resiliente para a região.

A Walmart está enfrentando os desafios ambientais associados ao seu fornecimento de carne. Como as fazendas de gado ocupam mais de 70 porcento da região desmatada da Amazônia, a Walmart estabeleceu a meta de ter uma cadeia de fornecimento de carne com desmatamento zero até 2015. Para ajudar a alcançar esta meta, a RSE da Walmart irá examinar as práticas pecuárias que reduzem o desmatamento.

A Danone, uma multinacional de laticínios, está se concentrando na avaliação dos riscos e oportunidades estratégicos da sua principal linha de produtos infantis. Em colaboração com uma ONG local, Ipê, identificou formas de ajudar os produtores de leite de sua cadeia de fornecimento a melhorar a qualidade da biodiversidade e do solo nos seus pastos para assim melhorar a qualidade do leite e baixar os custos operacionais da empresa.

Mudar a mentalidade de minimizar impactos para uma de maximizar os benefícios

A mitigação dos riscos ambientais não é só bom para as empresas  – é bom para o Brasil.

Por exemplo, a produção do azeite de dendê está frequentemente associada ao desmatamento de florestas tropicais e sua substituição pela monocultura do dendê, com fortes impactos no meio ambiente, especialmente na Malásia e na Indonésia. Ao buscar maior sustentabilidade na cadeia de fornecimento de cosméticos no Brasil, o Programa de Pesquisa em Bioagricultura da Natura estudou a produção orgânica do azeite de dendê em sistemas diversificados de agrosilvicultura, compostos de diversas plantas, nativas e comercialmente viáveis, cultivadas na mesma unidade de produção. A Natura está identificando formas de criar impactos positivos ambientais e sociais do azeite de dendê da agrosilvicultura na Amazônia brasileira. Essas incluem melhoria da segurança alimentar dos agricultores, conservação dos recursos naturais e produção de matéria prima mais sustentável para seus cosméticos.

As empresas de mineração Anglo American e Votorantim integraram os serviços ecossistêmicos ao processo de avaliação de impacto ambiental (AIA) da concepção de novas minas. A compreensão de como a mineração tem impactos e também depende dos serviços ecossistêmicos permite aos tomadores de decisão irem além da mitigação dos impactos ambientais negativos, rumo à capitalização dos benefícios de um melhor manejo do ecossistema. As oportunidades descobertas incluem a redução das emissões de gases de efeito estufa e dos custos operacionais da mineração ao mesmo tempo em que geram renda e desenvolvimento na região.

É claro que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para descolar o crescimento econômico da degradação ambiental. As ações de umas poucas empresas não será suficiente para realmente romper a ligação. Mas a PESE e outras iniciativas semelhantes demonstram que a conservação ambiental é boa para os negócios. Se um número suficiente de empresas começar a enxergar a conexão entre sustentabilidade e forte crescimento, poderá se criar uma verdadeira mudança no setor empresarial no Brasil – e em seus ecossistemas.

 

Fonte: GreenBiz

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