As edificações e as mudanças climáticas

 

Pouca gente sabe, mas as edificações são as maiores consumidoras de energia na economia global, contribuindo com mais de 30% do uso final de energia e aproximadamente 30% das emissões globais. No Brasil, segundo a Eletrobrás, as edificações são responsáveis por 45% do consumo de energia.

Embora elas sejam consumidoras menos visíveis de energia (e emissoras de CO2) se compararmos com setores semelhantes em uso de energia, como transporte e indústria, as edificações têm um importante papel em qualquer estratégia corporativa que tem mudanças climáticas como pauta.

Uma solução possível

O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) identificou a Eficiência Energética em Edificações como uma das principais soluções de negócio necessárias para lidar com o desafio das mudanças climáticas.

O projeto Ação 2020 identificou áreas prioritárias – baseadas em fatos científicos e tendências sociais – para ação das empresas. Foi definido um “Must-Have” para cada área onde as empresas devem trabalhar para atingir soluções até 2020. O projeto de Eficiência Energética em Edificações contribuirá com o Must-Have de Mudanças Climáticas. Isto quer dizer que para limitar o aumento da temperatura global em 2oC acima dos níveis pré-industriais, os sistemas industriais e energéticos devem sofrer transformações estruturais a fim de assegurar que as emissões não excedam três trilhões de tonelada de CO2. Atingir este objetivo significa reduzir as emissões totais de CO2 das edificações em 80% até 2050 comparadas com os níveis atuais (International Energy Agency). O projeto de Eficiência Energética em Edificações do WBCSD busca trabalhar com as empresas associadas e parceiros externos para reduzir dramaticamente o consumo de energia das edificações e atingir esse objetivo extremamente ambicioso e urgente.

Eficiência Energética em Edificações pelo mundo

A primeira fase do projeto teve início em 2006 e seu objetivo foi o de investigar o papel do setor de edificações no contexto da eficiência energética mundial em seis países ou regiões que juntas correspondem a 2/3 da demanda global de energia, incluindo países desenvolvidos e em desenvolvimento e uma variedade grande de zonas climáticas. São eles: Brasil, China, Europa, Índia, Japão e Estados Unidos. Nessa fase foram produzidos estudos e pesquisas, realizados encontros, workshops e fóruns e medidas as percepções dos stakeholders de edifícios sustentáveis nas regiões mencionadas.

Em sua segunda fase, o projeto agora busca implementar ações que resultem no destravamento das barreiras aos projetos de eficiência energéticas nas edificações, sejam elas comerciais, residenciais, industriais ou públicas. Através da realização de eventos chamados de “laboratórios” nas regiões identificadas na primeira fase, um relatório contendo ações concretas é  elaborado com o apoio de uma instituição acadêmica – a cargo, também, da elaboração de um estudo preliminar apresentando o panorama da situação das edificações em relação ao consumo por tipologia, políticas públicas disponíveis para fomentar projetos de eficiência energética, mecanismos de financiamento disponíveis, nível de entendimento dos atores sobre os benefícios trazidos por uma edificação mais eficiente energeticamente – e de um comitê técnico composto por relevantes instituições, empresas e profissionais. A elaboração desse documento se dá após um evento de três dias que envolve diversas entrevistas com personagens relevantes da cadeia de edificações e discussões com o comitê técnico e outros parceiros importantes do projeto na busca de sugestões de soluções que levem, eventualmente, à economia de energia nas edificações.

Já foram realizados laboratórios em São Francisco, Houston, Xangai, Polônia e Bangalore, na Índia. Em abril (14-16) será a vez do Rio de Janeiro sediar o primeiro laboratório do projeto no Brasil. Sob a organização da Lafarge e apoio do CEBDS, uma profunda análise da situação energética das edificações da cidade será feita através de um estudo conduzido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e de interações com vários atores conectados ao tema (de construtoras e arquitetos a ocupantes e administradores de várias tipologias de edificações) e com um robusto comitê técnico, que conta com representantes de empresas membro do CEBDS, instituições certificadoras, financeiras, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Nações Unidas, Ministério do Meio Ambiente, Eletrobrás,  Inmetro e outras.

Convocamos todas as empresas associadas do CEBDS a participarem da sessão plenária que ocorrerá no dia 16 de abril no auditório do BNDES no Edifício Ventura no Centro do Rio. Vamos ajudar o Rio e outras cidades brasileiras a realizarem os benefícios de se construir e operar edificações que evitem o desperdício de energia (e água), gerando a mesma quantidade de energia que consomem (no mundo ideal) e contribuindo para as importantes metas globais de redução de emissões de CO2.

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