A décima edição da pesquisa The Road Ahead, sobre Responsabilidade Corporativa, feita pela KPMG, associada ao CEBDS, mostra que 78% das empresas integram informações financeiras e não-financeiras em seus demonstrativos anuais. Só no Brasil, o aumento entre 2015 e 2017 foi de 16%, o que indica uma percepção cada vez maior de que os dados que não estão relacionados às finanças também são importantes para os investidores.

Para o sócio-diretor de sustentabilidade da KPMG Brasil, Ricardo Zibas, as corporações estão cada vez mais empenhadas em demonstrar suas contribuições à sociedade. “Já temos uma quantidade relevante de informações socioambientais divulgadas pelas empresas. O desafio agora é em relação à qualidade destas informações e o impacto financeiro que causam”, destacou. Por outro lado, são poucas as companhias que reconhecem que as mudanças climáticas podem trazer riscos financeiros: 72% das maiores companhias do mundo ignoram essa relação.
Em termos de setores, as empresas que operam em Recursos Florestais e Papel (44%), Mineração (40%), e Petróleo e Gás Natural (39%) têm as mais altas taxas de reconhecimento do risco relacionado ao clima em seus relatórios. Elas são seguidas de perto pelos setores Automotivo (38%) e de Serviços Públicos (38%). Serviços de Saúde (14%), Transporte e Entretenimento (20%) e Varejo (23%) são setores menos propensos a reconhecer o risco climático.
As principais constatações do estudo incluem ainda:
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU – um conjunto de 17 metas globais para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir a prosperidade para todos – tiveram forte receptividade junto às empresas em todo o mundo, em menos de dois anos contados a partir do seu lançamento no final de 2015. Mais de um terço (39%) dos relatórios estudados dentro da pesquisa da KPMG liga as atividades de responsabilidade corporativa das empresas com os ODS. A proporção cresce para 43% dos relatórios quando são examinadas especificamente as 250 maiores empresas do mundo.
Cerca de três quartos dos relatórios de empresas (73%) de todos os 49 países reconhecem os direitos humanos como uma questão de responsabilidade corporativa que a empresa precisa tratar. Esta proporção cresce para 90% no grupo das 250 maiores empresas do mundo. Empresas baseadas na Índia, no Reino Unido e no Japão são as mais propensas a reconhecer a questão dos direitos humanos, como também no caso das empresas que operam no ramo da Mineração.
Dois terços dos relatórios (67%) das 250 maiores empresas do mundo divulgam as suas metas visando a reduzir as emissões de carbono da empresa. Todavia, a maioria desses relatórios (69%) não se alinha às metas climáticas que estão sendo estabelecidas pelos governos, pelas autoridades regionais (tal como a União Europeia) ou pela ONU, dentro do Acordo de Paris.
A pesquisa The Road Ahead é feita a cada dois anos e, neste ano, analisou dados de 4.900 empresas em 49 países. Para ler a íntegra do estudo, clique aqui [em inglês].