Workshop aborda importância de empresas definirem metas baseadas na ciência

“Ao alinhar suas metas com os preceitos científicos, as empresas assumem a liderança na transição para a economia de baixo carbono e sinalizam seu compromisso na luta contra as mudanças climáticas”, afirmou Laura Albuquerque, coordenadora das CT Clima do CEBDS. Evento contou com a participação de 42 representantes de 21 empresas associadas ao CEBDS e de 10 parceiros públicos e privados. 

Os esforços já previstos por todos os países – em suas contribuições nacionalmente determinadas (NDC, na sigla em inglês) – não serão suficientes para alcançar a principal meta do Acordo de Paris: manter o aumento da temperatura global abaixo de 2ºC. Logo, é preciso ampliar os esforços para a concretização desse cenário. Sendo o setor empresarial um dos principais aliados no combate às alterações climáticas, como maximizar a contribuição das empresas na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE)? Esse foi um dos eixos do workshop sobre Metas Baseadas na Ciência, realizado na última quinta-feira (9) pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em parceria com o CDP e a iniciativa We Mean Business, em São Paulo (SP).

workshop contou com a participação de 42 representantes de 21 empresas associadas ao CEBDS e de 10 parceiros públicos e privados.

Entre uma palestra e outra, uma certeza: as metas de emissões baseadas em ciência devem ser o alicerce da ação climática corporativa. E para serem consideradas “baseadas na ciência”, tais metas devem estar alinhadas com o nível de descarbonização necessário para o alcance da meta de Paris.

“O setor empresarial é um dos principais aliados na redução das emissões de GEE e precisa vislumbrar metas mais ambiciosas. Ao alinhar suas metas com os preceitos científicos, as empresas assumem a liderança na transição para a economia de baixo carbono e sinalizam seu compromisso na luta contra as mudanças climáticas”, afirmou Laura Albuquerque, coordenadora das Câmaras Temáticas de Mudança do Clima e Energia e Finanças Sustentáveis do CEBDS.

Durante o quiz, foram feitas 6 perguntas sobre a NDC brasileira

Além de auxiliar o setor a projetar e alcançar objetivos mais ambiciosos, a definição de metas traz oportunidades e estimula a busca por soluções inovadoras.

Segundo Carla Schuchman, do CDP, as empresas que aderem às metas baseadas na ciência saem na frente das demais. “Ao delimitar as metas, as empresas estarão em melhores condições de atender às necessidades ambiciosas e inovadoras da transição a uma economia de baixo carbono, mais preparadas para responder a mudanças políticas e legislativas, além de demonstrar uma gestão proativa para os stakeholders”, pontuou em sua apresentação, que foi seguida de um animado quiz sobre as oportunidades presentes na NDC brasileira.

No painel “Introdução às metas baseadas na ciência”, os palestrantes André Naur, da WWF, Sergio Pacca, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo, e Keyvan Macedo, coordenador de Sustentabilidade da Natura, compartilharam suas experiências. “Celebramos 10 anos do Programa Natura Carbono Neutro em 2017, ou seja, o que temos discutido aqui representa um desafio que nos lançamos há 10 anos, inspirados na necessidade de que o setor privado deveria começar a agir, sem necessariamente ter um incentivo do governo”, afirmou Macedo.

Da esquerda para a direita: André Naur, Sergio Pacca, Keyvan Macedo e Carla Schuchman
Henrique Pereira apresentou os pontos fortes e fracos das metodologias utilizadas para definição das metas

Henrique Pereira, da Way Carbon, abordou as lições aprendidas na definição das metas. “As metas baseadas na ciência sinalizam o que precisa ser feito, mas não como será feito. Nesse sentido, outros aspectos são relevantes, como o engajamento, a comunicação e a integração na estratégia corporativa e na gestão de riscos”, destacou.

Pedro Faria, do CDP de Portugal, apresentou a abordagem e métodos para a definição de metas baseadas na ciência, ressaltando a ferramenta Science Based Target Setting Tool, desenvolvida para calcular as metas de redução das empresas de acordo com cada escopo de atuação e tendo em vista o Acordo de Paris. “A definição de metas baseadas na ciência representam um jogo a longo prazo, é uma memória do futuro”, definiu. Na parte da tarde, os participantes fizeram exercícios práticos e calcularam a meta de uma empresa utilizando a ferramenta.

Na ocasião, Laura apresentou o novo estudo do CEBDS, intitulado “Oportunidades e Desafios das Metas da NDC Brasileira para o Setor Empresarial”, e adiantou aos participantes que a principal oportunidade para as empresas virá da ampliação do uso de biocombustíveis. O estudo deve ser lançado ainda neste semestre.
O primeiro painel do workshop foi transmitido ao vivo pela página do CEBDS no Facebook e pode ser assistido aqui.

 

Pedro Faria explica a definição de metas a partir da metodologia utilizada pela iniciativa Science Based Targets

Iniciativa Science Based Targets

Formada pelo CDP, Pacto Global da ONU, WWF e World Resources Institute, a Science Based Targets Initiative possui 216 companhias associadas e comprometidas com a definição de metas de redução de emissões baseadas na ciência.

A iniciativa visa aumentar a ambição corporativa e ajudar as empresas a buscar soluções mais arrojadas para as mudanças climáticas. Ele apoia as empresas a definir metas de redução de emissões de acordo com o que a ciência diz ser necessário para manter o aquecimento global abaixo do limite de 2ºC. O objetivo é que, até 2018, o estabelecimento de metas baseadas em ciência se torne uma prática comercial padrão e permitam às corporações desempenhar um papel importante no fechamento do hiato de emissões deixado pelos compromissos assumidos pelos países no âmbito do Acordo de Paris.

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