Climate Week de Nova York terá como foco a ambição climática de zero emissões

Na próxima semana, acontece a Climate Week de Nova York, organizada por The ClimateGroup. A Semana do Clima de NYC (CWNYC) ocorre entre os dias 21 a 27 de setembro e a previsão é de que haja mais de 350 eventos organizados em NYC e ao redor do mundo, tanto presencial como online (confira a agenda completa e atualizada aqui).

A Semana deste ano tem como foco a ambição climática de zero emissões (net zero) e o desenvolvimento socialmente justo, pós Covid-19. Com o cancelamento e adiamento de todas as Climate Weeks regionais oficiais da UNFCCC e da COP26 devido à pandemia, este será o maior evento de clima do ano.  

O slogan “Para Nova York, para o Mundo” foi escolhido pela organização do evento para colocar as pessoas no centro da ação climática e da construção de um futuro melhor. A retomada da economia, de maneira mais socialmente responsável, essencialmente verde e com ambição climática positiva são condições cruciais para alavancarmos as mudanças que precisamos.

Somos responsáveis por reduzir à metade as emissões globais de gases de efeito estufa nos próximos dez anos. A chamada década da implementação começará com um desafio ainda maior: os impactos causados pela mais abrangente e avassaladora pandemia de nossa geração. A crise que se segue a ela, com recessão econômica, acentua os graves problemas sociais e ambientais que já tínhamos antes. 

 

O ano de 2020 até agora

No meio do ano, tivemos o June Momentum”, série de eventos que marcou a necessidade de continuar dando o impulso necessário para continuar os trabalhos por ação climática, apesar do adiamento da COP. A presidente da COP 25, Carolina Schmidt, reforçou um chamado a todos os governos por uma transição sustentável que englobe o impacto social na ambição climática. 

Patricia Espinosa, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCC), fez um apelo a todos sobre a necessidade de criarmos um “normal melhor”, que atenda às aspirações de todos os povos do mundo, em vez de criar um “novo normal”. Ela lembrou, ainda, a importância de continuação dos esforços e que a pandemia mudou a maneira como estamos trabalhando, mas não a necessidade de trabalharmos pelo clima. 

Para uma recuperação verde e resiliente, pontos-chave foram colocados: a) investir em empregos verdes; b) se for preciso apoiar o mercado automobilístico, que se invista em carros elétricos; c) acabar com todos os subsídios para combustíveis fósseis; d) inserir os riscos climáticos no processo de decisão de investimento e financiamento; e) a máxima “não deixar ninguém pra trás”, isto é, considerar as populações mais vulneráveis, especialmente de países em desenvolvimento; e f) todos os países devem contribuir para uma recuperação conjunta.

A campanha Race to Zero, encabeçada pelos Campeões do Clima do Reino Unido e do Chile (assim chamados os High-Level Climate Champions), Nigel Topping e Gonzalo Muñoz, respectivamente, uniu chefes de governos, empresas, investidores, academia e sociedade civil para se engajarem na maior coalizão de líderes comprometidos com um objetivo: zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. 

Outra iniciativa, a SOS 1.5, liderada pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e We Mean Business, foi trazida pelo CEBDS para que o setor empresarial brasileiro também se comprometa com metas cada vez mais ambiciosas.

 

O que mais acontece no Brasil?

O País tem tido um ano especialmente difícil. A desaceleração econômica do início do ano ganhou força com a pandemia e o isolamento social. A taxa de mortalidade com o vírus e as incertezas sobre as perspectivas da economia e do emprego tornaram o cenário ainda mais desafiador.

Ao mesmo tempo, a parada dos negócios e das indústrias surpreendeu o mundo com números inéditos para a agenda climática e da biodiversidade no planeta. 

Estima-se que as emissões globais de Gases de Efeito Estufa (GEE) possam cair até 6% neste ano –o que seria a maior redução já registrada– graças ao impacto da redução na queima de combustíveis fósseis, responsáveis por dois terços destas emissões. 

Sexto maior emissor de GEE no planeta, o Brasil tem um perfil diferente porque o uso da terra responde por mais de dois terços das emissões. No Brasil, as estimativas indicam que as emissões podem crescer de 10% a 20% neste ano –o número final dependerá tanto da trajetória de desmatamento da Amazônia nos próximos meses, quanto da taxa de recuperação econômica. Esse aumento nas emissões segue em sentido oposto não só à queda provocada pela forte retração da economia global, como também das metas da Política Nacional sobre Mudança do Clima.

Ao deixar de cumprir as metas da Política Nacional sobre Mudança do Clima para 2020, o Brasil deve entrar endividado no período de cumprimento de suas obrigações internacionais. Isso significa que as contribuições que cada país definiu que faria no Acordo de Paris, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), sairão mais caras e serão mais difíceis de atingir no caso brasileiro. 

Um dos pontos mais urgentes na agenda brasileira é rever suas NDCs, que trazem metas de redução de emissões de GEE, para torná-las mais ambiciosas. As metas estabelecidas nas NDCs indicam o caminho para que os governos possam zerar as emissões até 2050 e adotar maior transparência nas medidas para atingir esse objetivo. Por isso é tão importante que os avanços continuem a ser feitos, mesmo durante a crise da Covid-19. 

Em 2015, o Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% em relação aos níveis de dez anos antes, até 2025. Além disso, indicou que faria uma contribuição adicional reduzindo outros 43% até 2030. 

No entanto, o País ainda não apresentou um plano para implementar a NDC a partir de 2020. O Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, que é parte integral da meta brasileira em Paris, está parado.

É necessário que novas metas sejam apresentadas, contemplando todos os setores da economia, e buscando zero emissões líquidas no longo prazo. Ao participar dos debates da Climate Week, o CEBDS confirma o esforço permanente do empresariado brasileiro de reduzir o carbono e buscar uma economia mais inclusiva e próspera para todos.

 

Esforços do CEBDS 

A liderança do CEBDS em clima, incluindo maior ambição climática, advocacy pelo Artigo 6 do Acordo de Paris e em prol de um mercado de carbono nacional, segue cada vez mais ativa ao longo dos anos. Com o apoio da Câmara Temática de Clima e das demais câmaras do CEBDS, ainda há um trabalho grande previsto para o restante deste ano, que engloba workshops técnicos sobre precificação e mercado de carbono brasileiro para servir de base para um marco regulatório.

O CEBDS, em conjunto com o setor empresarial, tem atuado no advocacy e outras iniciativas, como o Comunicado do Setor Empresarial contra o desmatamento ilegal, que confirma que produzir e preservar não são verbos antagônicos na visão de líderes do setor privado brasileiro. Além disso, buscar a diminuição das emissões vindas do uso da terra torna-se algo especialmente necessário no Brasil dada a alta participação dessas atividades no total de emissões nacionais.

Historicamente, o CEBDS vem trabalhando ainda em prol de maior transparência em relatos financeiros de riscos e impactos relacionados a clima, de maior compreensão dos temas de sustentabilidade pelas áreas de comunicação, e de compromissos sustentáveis, com foco em clima, energia, agricultura e florestas, alimentos, água e biodiversidade

A pandemia trouxe muitos desafios e provoca reflexões sobre como atuar com cada mais responsabilidade com as pessoas e o planeta. Trabalhos como o Covid Radar nos ensinaram muito sobre a importância de celeridade e visão para planejar os negócios em meio a crises. Grandes transformações sistêmicas precisarão ocorrer para que o empresariado alcance uma nova Visão para 2050, num futuro descarbonizado, circular e de um capitalismo amplamente revisitado.

A saída da crise econômica agravada pela pandemia é uma oportunidade para adoção de novas bases para o desenvolvimento no planeta. Um futuro menos carbonizado exige a participação de todos e será amplamente discutido nesta Climate Week. 

Acompanhe os eventos mais importantes da Climate Week aqui.

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