Homenagem a Eliezer Batista, um dos fundadores do CEBDS

Eliezer Batista. (Foto: Antonio Andrade)

“O que me impulsiona e me dá uma força muito grande é o outro. É saber que sempre posso fazer alguma coisa para alguém.”, Eliezer Batista, aos 88 anos em entrevista à Revista Trip, em 2012

O ano era 1997, o Brasil tinha saído recentemente da Eco 92, e fazia dez anos que em 1987 o conceito de desenvolvimento sustentável tinha aparecido pela primeira vez num documento da ONU, o Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum. Estava ficando cada vez mais claro e evidente às pessoas antenadas ao futuro da espécie humana que a velocidade com que os recursos naturais vinham sendo consumidos colocava em xeque a sobrevivência do planeta. Grupos empresariais começaram a se articular no mundo todo e o Brasil não ficou de fora. Capitaneado por líderes empresariais nascia, em 5 de março de 1997, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).  À frente do projeto estava um dos mais respeitados empresários do País: Eliezer Batista, ao lado de Félix de Bulhões, Erling Lorentzen, Raphael de Almeida Magalhães e Wilberto Lima Júnior.

Conhecido por sua visão estratégica de futuro, sempre à frente de seu tempo, Eliezer trouxe para o CEBDS conceitos com os quais já havia começado a trabalhar no Projeto Carajás, ainda quando estava à frente da Vale. Foi quando, pela primeira vez no país se buscou trabalhar de maneira integrada com os três pilares do desenvolvimento sustentável, o econômico, o social e o ambiental. O conceito de desenvolvimento sustentável naquela época não estava composto, mas especialistas atribuem a essa experiência de Carajás parte da elaboração do conceito: o empresário suíço Stephan Schmidheiny veio ao Brasil para coordenar a ECO 92, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele visitou Carajás (PA) e se deparou com os aspectos econômicos, ambientais e sociais aplicados em simultaneidade. Da prática observada, Schmidheiny partiu para a teoria e organizou o conceito de desenvolvimento sustentável, ampliando o postulado de ênfase ambiental cunhado em 1987 no Relatório Brundtland, citado acima.

De fato, a contribuição de Eliezer Batista para construir o pensamento da sustentabilidade no Brasil é inestimável. Acostumado a comandar grandes empreendimentos, Eliezer foi diretamente ligado às questões ambientais desde cedo. Elaborou o código florestal de 1965, um dos primeiros, e costumava dizer que para alcançar a meta de sustentabilidade é preciso antes de tudo o conhecimento científico de regiões que serão exploradas economicamente.

“Hoje, a única coisa imediata que você tem para mitigar os efeitos do clima é o plantio de árvores. Não há mais nada de efeito imediato. Será preciso usar energias alternativas, mas tudo isso vai demorar muito tempo. Para efeito imediato, o que existe é recuperar. Não há água sem florestas. E sem água não tem vida. A floresta é uma maneira de recuperar os recursos hídricos e, portanto, recuperar a vida, recuperar o ambiente”, disse em entrevista ao site O ECO, em 2007, aos 84 anos.

Versão brasileira do World Council for Sustnainable Development (WBCSD), o CEBDS já nasceu com a concepção de fazer com que o desenvolvimento sustentável fosse visto como instrumento para fortalecer os negócios e abrir novas oportunidades. O recado foi rapidamente compreendido pelos líderes empresariais nacionais e já no primeiro ano, o CEBDS criou câmaras temáticas nicas, de Legislação Ambiental e Ecoeficiência, ocupou uma cadeira na Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e outra na Agenda 21 Nacional, além de produzir o primeiro relatório de sustentabilidade empresarial publicado no País, entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso com mais de 200 páginas.

Eliezer Batista morreu nesta segunda (18), aos 94 anos, deixando uma extensa trajetória de sucesso e de inovação em prol da sustentabilidade. O CEBDS é um importante legado para o empresariado brasileiro, para as gerações futuras e para a sustentabilidade do planeta.​

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