CEBDS vai a reunião da ONU para levar propostas do setor empresarial sobre biodiversidade

Conselho participa em março, na Suíça, das reuniões preparatórias para o novo Marco da Biodiversidade, ao lado de negociadores de 196 países

O CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) estará presente na próxima cúpula preparatória da ONU sobre biodiversidade. O encontro acontecerá em Genebra, na Suíça, de 14 a 29 de março, e vai avaliar o texto do novo Marco da Biodiversidade, documento que definirá metas, parâmetros e normas para reduzir os danos à natureza gerados pela atividade humana.

A preocupação com o tema vem ganhando cada vez mais peso, a ponto de o Fórum Econômico Mundial ter acabado de listar a perda de biodiversidade como o terceiro principal risco global. A proteção da natureza também está no centro das soluções para enfrentamento às mudanças climáticas.

No encontro, o CEBDS defenderá a visão do setor empresarial sobre o novo marco, que deve ter um peso equivalente ao Acordo de Paris em relação ao clima – ou seja, traçar as regras dos próximos anos para a conservação da natureza, direcionando novos investimentos e estimulando soluções inovadoras. O CEBDS participará diretamente das reuniões onde ocorrem as negociações internacionais envolvendo 196 países e fará reuniões bilaterais com o governo brasileiro, além de eventos com parceiros internacionais. O Conselho vem trabalhando nos últimos anos diretamente com o Ministério das Relações Exteriores na construção da posição brasileira, reforçando a importância do setor empresarial como solução para um desenvolvimento sustentável.

A reunião em Genebra é a última grande etapa antes da Conferência das Partes sobre Biodiversidade, a COP15, que será em Kunming, na China, em data ainda a ser definida. Será nesta rodada de negociações na Suíça que os países consolidarão a proposta final para o novo marco.

O CEBDS será representado pelo coordenador técnico Henrique Luz, que lidera a Câmara Temática de Biodiversidade, e atuará ao lado da Business for Nature, entidade que reúne o setor produtivo em nível global. O Brasil tem papel fundamental nesse processo, já que é o país mais megadiverso do mundo – possui a maior riqueza e variedade de espécies vegetais e animais, além de vários tipos de biomas. Por isso, tem potencial para protagonizar as discussões e demonstrar que é possível produzir e conservar ao mesmo tempo, gerando empregos e renda sem destruir a natureza.

O posicionamento que o CEBDS levará para a reunião da ONU foi elaborado em parceria com a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e construído com as nossas associadas, governo e academia. Parte dessa visão já foi inclusive incorporada à minuta do novo Marco da Biodiversidade.

O setor empresarial quer a criação de metas claras e parâmetros comparáveis para diminuir o impacto dos negócios sobre a natureza nos próximos anos. Deseja também apoiar as discussões sobre redirecionamento de financiamentos bilionários que hoje causam impacto sobre a biodiversidade do planeta para ações que valorizam a natureza. O objetivo é construir um novo modelo de desenvolvimento econômico, focado na conservação de ecossistemas, animais e plantas.

Isso porque o atual cenário global, de exploração predatória, coloca em risco atividades como a produção de alimentos, a pesquisa de novos medicamentos e cosméticos, a recarga de fontes de água potável, a inovação científica e genética e a oferta de matérias-primas para atividades comerciais e industriais.

O novo Marco da Biodiversidade ganhou ainda mais importância com os resultados da Conferência do Clima da ONU, a COP26, realizada em novembro passado, em Glasgow, Escócia. Os principais acordos internacionais apontaram a conservação da natureza como solução central para combater o aquecimento global. A COP do Clima demonstrou que o enfrentamento às mudanças climáticas anda de mãos dadas com a valorização da biodiversidade.

A versão que será avaliada do Marco da Biodiversidade traz ao menos 12 metas conectadas aos negócios. Uma delas, a meta 15, determina que as empresas avaliem e relatem seus impactos sobre a biodiversidade e reduzam pelo menos pela metade seus efeitos negativos.

Já a meta 18 prevê redirecionar, reaproveitar, reformar ou eliminar incentivos prejudiciais à biodiversidade, em pelo menos US$ 500 bilhões por ano, incluindo todos os subsídios mais prejudiciais, e garantir que os incentivos econômicos e regulatórios sejam positivos ou neutros para a biodiversidade. Na prática, significa aplicar o dinheiro de novos financiamentos em projetos que, em vez de destruírem a natureza, consigam conservá-la.

“As propostas do setor empresarial vão incentivar os negócios a gerarem impactos positivos sobre a natureza. Ao colaborar na definição de metas e métricas para a operação e priorizar investimentos em soluções sustentáveis, as empresas querem promover, já no curto prazo, um novo modelo de desenvolvimento, baseado em uma economia verde, que gere empregos e renda de forma sustentável”, afirma Henrique Luz, coordenador técnico e líder da Câmara Temática de Biodiversidade no CEBDS.

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