Para seguir a cartilha e adotar ações sustentáveis

 

Quando olhamos uma organização de fora, enxergamos um corpo único. Empresas e instituições que buscam a sustentabilidade esperam que suas práticas sejam adotadas e identificadas dessa forma, um corpo homogêneo e sustentável. Mas de dentro, sabemos que toda organização é formada por diferentes departamentos, com atividades-fim específicas desenvolvidas por pessoas com valores e visões distintas. Sustentabilidade vai muito além de um departamento ou conjunto de práticas. É uma forma de pensar e de integrar o tema na gestão da corporação e no seu plano de negócios, envolvendo todos os departamentos.

Para que a sustentabilidade seja inerente ao negócio é preciso mensurar e qualificar (quando não for possível quantificar) dependência, impacto e riscos ambiental e social em que o negócio está inserido. Não se trata de um processo trivial. Ferramentas novas, como o arcabouço do Relato Integrado, podem servir de guia. Essa abordagem de relato conecta as informações mais relevantes da organização, relacionando os resultados e as atividades operacionais às estratégias de negócio com os diferentes tipos de capitais, permitindo uma análise no curto, médio e longo prazo e antecipando riscos e oportunidades.

Outro desafio são as diferenças de linguagens e indicadores entre os departamentos das empresas. Não raro, o que é visto como um risco para a área ambiental, por exemplo, não é mensurado pela área de compras, pois seu foco naturalmente é o menor preço. Vivenciamos essa dificuldade de compreensão na elaboração do Manual de Compras Sustentáveis, lançado em 2014 pelo CEBDS. Estas percepções diferentes sobre um mesmo fenômeno acontecem também com os insumos e serviços providos pela natureza. Esses serviços não são reconhecidos, nem remunerados como tais. No setor agrícola, por exemplo, as áreas verdes não são consideradas como um controlador de pragas ou ativo responsável pela manutenção da qualidade e ou disponibilidade de água. Apenas com a falta destes recursos este ativo passa a ser reconhecido financeiramente.

As empresas de vanguarda adotam e disseminam iniciativas para multiplicar as práticas de sustentabilidade entre suas equipes. Apesar das empresas reconhecerem e adotarem boas práticas, recente pesquisa da Fundação Dom Cabral revelou que 78% de 400 companhias consultadas afirmaram ter preocupação com a sustentabilidade na estratégia de negócios, embora apenas 36% exerçam ações concretas.

Hoje, há consenso entre as principais lideranças do setor empresarial que a aplicação dos conceitos de sustentabilidade é o único caminho para reverter o cenário de degradação ambiental e o seu forte impacto nas dimensões econômica e social. A preocupação das empresas com a incorporação da sustentabilidade é crescente, mas ainda há um descolamento do conceito à prática de fato.

Com base nessa constatação, e na nossa experiência em vários projetos semelhantes, o CEBDS decidiu produzir guias práticos para indicar o caminho de horizontalizar a sustentabilidade por todos os departamentos das empresas. Dez guias intitulados “Como inserir a sustentabilidade em seus processos” serão lançados ao longo de cinco anos. Os dois primeiros, abordando as áreas de Gestão de Pessoas e Financeira, já estão sendo distribuídos e aplicados. Outros dois, para as áreas de Inovação (P&D) e Marketing estão em fase de produção.

Os guias pretendem estreitar essas distâncias entre as áreas, traduzindo conceitos e linguagens, ampliando a compreensão. O objetivo maior é refazer as contas finais das empresas, incorporando o capital natural e o capital social, além do financeiro.

A preocupação das empresas com a incorporação da sustentabilidade é crescente, mas ainda há um descolamento do conceito à prática.

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