Setor empresarial discute a gestão da água

 

O uso e a gestão estratégia dos recursos hídricos no setor empresarial foi tema central do Fórum Água, realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em parceria com a Ambev, Coca-Cola, HSBC e Programa Água Brasil, uma parceria do Banco do Brasil, ANA e WWF, no dia 19 de março, em São Paulo. “O uso da água é uma questão muito crítica em todo o mundo. O setor empresarial está atento para este desafio, que é inclusive um dos nove temas trabalhos no projeto Action 2020”, afirmou Marina Grossi, presidente do CEBDS. O evento – que reuniu especialistas do setor empresarial, do governo, da sociedade civil e da academia – foi realizado na semana em que se comemora o Dia Internacional da Água (22 de março).

Para o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, esse recurso será um motor para o desenvolvimento das economias mais pobres. “Uma vez que os governos entendam que os níveis de gerenciamento de riscos dos recursos hídricos de um país estão diretamente relacionados a uma economia forte, o desenvolvimento humano acontece”, disse Braga.

No primeiro painel do Fórum, os representantes do setor empresarial defenderam uma gestão descentralizada das bacias hidrográficas. “Ainda há muito a melhorar no funcionamento dos 200 Comitês de Bacias que existem, mas o gerenciamento como é feito hoje é essencial para as empresas, já que cada região tem sua peculiaridade e os impactos e dependências diferem de uma região para outra”, observou Fernando Malta, coordenador da Câmara Temática de Água do CEBDS.

Para o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, é preciso mudar a forma de pensar das lideranças. “A gestão dos comitês precisa ser feita por técnicos, sem vínculo político. Saneamento é uma questão técnica”, disse. “Não basta que o governo entregue obras, é preciso investir nos profissionais que vão cuidar da estação de tratamento. Repassar recurso para quem não sabe utilizá-lo é jogar dinheiro fora”, considerou Ângelo Lima, analista do Programa de Conservação do WWF.

Em relação à questão da gestão estratégica da água para gerenciamento de riscos (tema do segundo painel), na visão da porta-voz do Ministério do Meio Ambiente presente no evento, a falta de conhecimento do cenário futuro em relação às mudanças climáticas impacta num planejamento de longo prazo. “Uma coisa é certa, os esforços em relação às mudanças climáticas já migraram da mitigação para a adaptação”, afirmou Mariana Egler, analista ambiental do MMA. Por sermos um país com matriz energética que depende diretamente do regime de chuvas, a diversificação das fontes de energia é um fator importante para estimular o crescimento do país. “A agricultura pode proporcionar uma nova fonte de energia com o etanol. É preciso perceber o poder da agricultura também na geração de energia”, disse Fabrício Peres, líder da América Latina do Programa “The Good Growth Plan”.

O uso da água na produção de serviços e bens (e no consumo) tem uma metodologia própria de métricas, a partir da pegada hídrica. Mas ainda falta clareza, principalmente para as empresas, da melhor forma de análise da pegada hídrica dos negócios e da comunicação. Para o setor empresarial, é mais difícil entender que nem todo resultado de pegada hídrica é sustentável e que o indicador, por si só, não revela uma gestão sustentável. “A avaliação da pegada hídrica não pode ser global. Cada região de negócio e cada setor da indústria tem suas diferenças”, observou Pedro Almada, analista de Meio Ambiente da Vale e vice-presidente da CTÁgua.

Para demonstrar que as empresas líderes já perceberam a relação direta de impacto e dependência que seus negócios têm com a água, Ambev, Coca-Cola, HSBC e Banco do Brasil apresentaram, durante o quarto painel do Fórum, cases de sucesso na gestão de recursos hídricos. Quando questionadas como as empresas podem ser importantes players na gestão da água, todas foram unânimes em responder que, para dar escala às boas práticas, é preciso muito diálogo e parcerias concretas com objetivos claros e que tenham pontos em comum.

Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Básico

Durante o ‘Fórum Água: gestão estratégica no setor empresarial’, foi lançada a publicação “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Básico”, do Instituto Trata Brasil e do CEBDS. A publicação destaca os principais ganhos que o país teria se alcançasse a universalização dos serviços de água tratada e esgotamento sanitário. Entre várias áreas que melhorariam com esses serviços, o estudo evidencia os benefícios à saúde, educação, trabalho e renda, imóveis e turismo.

Veja a carta do diretor-presidente da Agencia Nacional de Águas sobre o evento.

 

 

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