BlackRock: empresas sustentáveis são mais atrativas para investimento

Em evento do Conselho de Líderes do CEBDS, CEO da BlackRock Brasil, Carlos Takahashi, ressalta importância de aspectos ambientais, sociais e de governança na atração de recursos estrangeiros

Rio de Janeiro, 20 de maio de 2020 – Principal executivo no Brasil do maior gestor de fundos de investimento no mundo, o presidente da BlackRock Brasil, Carlos Takahashi apontou nesta quarta (20) os caminhos para que empresas saiam da atual crise provocada pela pandemia da Covid-19, com maior resiliência. Para mais de 100 executivos da alta liderança de empresas brasileiras e multinacionais, ele falou no âmbito do Conselho de Líderes do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), e foi contundente em afirmar que as empresas mais sustentáveis são as que brilharão aos olhos dos investidores estrangeiros, especialmente em relação aos grandes projetos de infraestrutura.

“Não podemos mais cometer o pecado de subestimar eventos que podem trazer severos danos para o futuro da humanidade (como as mudanças climáticas, por exemplo, ou essa pandemia). As empresas precisam entender e assumir seu papel na sociedade, dando mais atenção às questões ambientais, sociais e de governança”, disse.

Para o Brasil, segundo ele, o avanço consistente de uma agenda de longo prazo (infraestrutura e sustentabilidade) também passa pela implementação de uma comunicação mais estratégica com a comunidade internacional de investidores. “O Brasil ficou barato para o investimento estrangeiro. Então, há inúmeras oportunidades para atração de novos investimentos, especialmente, em infraestrutura, tecnologia e saúde. Mas é fundamental melhorar a percepção que se tem do País lá fora. E isso depende de um esforço coletivo. O poder público tem que ser um coordenador dessa agenda, mas o setor privado também pode contribuir”, afirmou Takahashi, destacando a questão da Amazônia como um exemplo que afeta negativamente a percepção da imagem do país entre os investidores estrangeiros.

Essa estratégia de comunicação com a comunidade de investidores, ressaltou, tem que ter consistência, disciplina, regularidade e unicidade. “É preciso se organizar melhor, e entender melhor quem são os investidores de longo prazo, os fundos soberanos, e toda uma gama de investidores dentro da comunidade internacional”, explicou Takahashi.

Marina Grossi, presidente do CEBDS destacou que as grandes empresas brasileiras estão trabalhando neste desafio, conectando as ações emergenciais antes a atual crise, com a construção de uma visão de longo prazo. “Do ponto de vista estratégico, a grande questão que se faz neste momento é como se preparar para o futuro”, afirmou.

Presente ao debate, o CEO da Siemens, André Clark, destacou a influência positiva de diretrizes de investidores como a BlackRock nas estratégias de negócios das empresas. “O investidor é o consumidor e ele influencia na tomada de decisão. Assim, as empresas são cada vez mais pressionadas por seus investidores a adotar critérios sociais, ambientais e de governança”, afirmou. Solange Ribeiro, diretora presidente-adjunta da Neoenergia, chamou a atenção para a matriz energética brasileira, a mais limpa do mundo e com um enorme potencial de crescimento.

Carlos Takahashi ressaltou que a gestora de investimentos procura influenciar por meio de sua participação nos Conselhos de Administração. “A BlackRock não tem uma posição majoritária, mas minoritária relevante, por meio da qual procura recomendar, influenciar e cobrar, por exemplo, maior diversidade não só nos boards das companhias, mas também na sua política de Recursos Humanos”, disse.

Também participaram do debate os CEOs da Vedacit, Marcos Bicudo (chair do CEBDS), e da Ecolab, Orson Ledezma. Entre os participantes que acompanharam o webinar do CEBDS, estiveram presentes executivos da Vale, Banco do Brasil, Santander, Suzano, Engie, Lojas Renner, Shell, BR Distribuidora, Klabin, Tozzini Freire, e as instituições Febraban, Fecomercio e IBP, entre outras.

Esse foi o segundo webinar promovido pelo Conselho de Lideres do CEBDS, numa série focada em futuros possíveis – para o capitalismo, trabalho e liderança – repensando formas de atuação das empresas junto à sociedade, reconfigurando a responsabilidade social dos negócios e priorizando lucros com propósitos, tendo em vista o cenário de pandemia gerado pelo coronavírus. O webinar está disponível no canal do CEBDS no Youtube: https://www.youtube.com/user/CEBDSBR.

ABOUT CEBDS

The Brazilian Business Council for Sustainable Development (CEBDS) is a non-profit civil association that promotes sustainable development through articulation with governments and civil society, in addition to disseminating the most current concepts and practices on the subject. Founded in 1997, it brings together around 60 of the largest business groups in the country, responsible for more than 1 million direct jobs. It represents in Brazil the network of the World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), which has almost 60 national and regional councils in 36 countries and 22 industrial sectors, in addition to 200 business groups that operate in all continents. More information: https://cebds.org/.

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Débora Rolando

 

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