Suspensão do Leilão de Reserva: instabilidade e riscos para o setor de energia no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil acompanhou diferentes debates alertando para a necessidade de diversificação da matriz energética brasileira. Hoje, esse debate virou consenso: diversificar a matriz é uma questão primordial para o setor de energia e para a segurança energética do país. A EPE aponta que a demanda por energia terá triplicada até 2050 e trabalhar com fontes variadas é sem dúvida uma das medidas para garantir o fornecimento.

A GE, por meio do seu vasto portfólio na área de energia, busca otimizar a produtividade da operação do sistema elétrico brasileiro. Os equipamentos da companhia são responsáveis pela geração de 33% de toda energia produzida no país, ultrapassando 47 GW. Essa energia é mais do que suficiente para abastecer um país do tamanho da Argentina.

Uma grande parte dos investimentos da GE no Brasil é voltada à energia eólica. Estamos neste mercado desde 2009, e hoje somos o maior fabricante de turbinas eólicas do mercado.

O Brasil acaba de alcançar a emblemática marca de 10 GW de capacidade eólica instalada, distribuída em 400 parques e mais de 5.200 aerogeradores. O país possui umas das melhores condições de vento do mundo. Além da sua vocação sustentável, a energia eólica também está entre as energias com menor custo se comparada à solar e à biomassa.

Agendado para acontecer em 19 de dezembro, o Leilão de Reserva (2º LER 2016) para contratação de energia eólica e solar foi cancelado poucos dias antes de sua realização. Este leilão representava uma grande sustentação para a cadeia, com previsão de injetar mais R$ 8 bilhões em investimentos e gerar pelo menos 15 mil empregos. Em 2016, a indústria eólica gerou 35 mil empregos. Em 2015, foram 41 mil empregos. Sem novas contratações de energia, o setor não se sustenta.

Temos aqui um ponto muito importante a discutir. Considerando a característica do vento brasileiro, complementar ao regime hídrico, a tarifa ao consumidor final tende a ser menor devido ao deslocamento do despacho das térmicas. Sendo assim, a conta deveria ser feita para garantir que a não realização do LER não onerasse a tarifa e sim que a aliviasse. O setor ainda não dispõe destes números prontos, mas seria fundamental tocar nesta questão para garantir decisões com melhores fundamentações.

A GE, assim como outras empresas do setor, está comprometida com investimentos que envolvem toda a cadeia produtiva. No entanto, os fornecedores de equipamentos para a indústria de geração de energia eólica precisam de previsibilidade na contratação de projetos pelo governo. O leilão de energia não deve apenas equacionar a demanda imediata, mas planejar de forma eficiente a oferta no futuro.

Este cancelamento às vésperas prejudica a imagem do Brasil e do setor no cenário internacional, além de comprometer a atratividade do país. Acreditamos que um novo leilão seja fundamental e, na nossa visão, deve acontecer no primeiro semestre de 2017. É preciso segurança e confiabilidade no planejamento do setor para que todos os atores do setor consigam desenvolver os melhores projetos para o país.

*Este conteúdo foi publicado originalmente no LinkedIn.

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