Uma economia carbono zero é possível?

É possível transformar o sistema elétrico brasileiro de baixo carbono para zero carbono? Para debater os caminhos, a presidente do CEBDS, o ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o CEO da PSR, Luiz Barroso, participaram do debate promovido pelo Instituto E+, no Brazil Climate Action Hub, durante a COP 25.

A próxima década será o período de implementação do Acordo de Paris, com contribuições voltadas para conter o aquecimento global em 1.5º C. Serão necessárias soluções disruptivas para conter as emissões brasileiras, principalmente oriundas do desmatamento. Levy destaca o baixo impacto das emissões da sociedade, dada a matriz energética limpa do país, com quase 50% da presença de renováveis.

“Quando olhamos para o futuro, para sermos um país carbono zero, temos duas questões: continuar ampliando a participação de energias limpas e melhorar alguns processos, como produção industrial e eletrificação dos transportes, por exemplo. Temos a capacidade de expandir nosso percentual de renováveis para chegar mais perto de zero emissões de carbono. Temos caminhos para chegar lá, só precisamos que sejam sustentáveis financeiramente também”, reflete.

O uso de fontes renováveis pelas empresas, principalmente por meio da compra de energia em contratos de Power Purchasing Agreement (PPA). Segundo Marina Grossi, esses contratos tem dado autonomia e mudado o rumo da conversa. “O PPA permite que as empresas não dependam somente do governo. Um ambiente regulado facilitaria a adesão de mais partes interessadas, mas mesmo no cenário atual vemos que essa é uma tendência crescente”, defende.

Barroso explica que as fontes renováveis são as alternativas mais baratas para o país. “As renováveis no Brasil não só são a fonte mais limpa, mas são as mais econômicas. Uma forma de suprir a segurança energética, que é tão questionada quando falamos de renováveis, é integrar geração hidrelétrica com o uso da transmissão para fornecer a flexibilidade necessária para que as renováveis tenham um papel mais relevante na matriz energética. O gás natural é uma alternativa que já é amplamente discutida, mas o pacote hidrelétrica e transmissão é um ponto que carece de debates”.

Sobre o gás natural, Levy destaca que as possibilidades de uso do combustível deve ser melhor discutida. “A prioridade hoje, se tivéssemos capacidade de análise setorial, seria identificar a demanda do setor empresarial por calor e utilizar o gás como fonte de calor para processos industriais”.

Uma outra alternativa para viabilizar uma a transição para carbono zero é a precificação de carbono, ou seja, colocar um preço nas emissões e, consequentemente, no custo dos processos industriais. Barroso destaca que, uma proposta nasceu em uma consulta realizada em 1983, prevendo um mercado de carbono para o setor elétrico. A proposta, entretanto, não avançou.

Hoje, as empresas implementam, na ausência de mecanismos regulatórios, precificação interna para se adiantar à regulação. “Estamos atrasados frente à outros países em mecanismos de precificação. As empresas querem a regulação. Precisamos aprender a trabalhar nesse mercado que é emergente. Não consigo imaginar chegar no carbono zero sem a precificação de carbono como uma ferramenta”.

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